Já vi gente dar o sangue pra conseguir avançar em um jogo, mas essa jogadora resolveu negociar outras partes de sua anatomia. Em um anúncio na Craigslist ela ofereceu trocar uma noite de sacanagem por 5000 peças de outro. Sim, isso mesmo, sexo, safadeza, libertinagem e - ok, se você é Mago Nivel 40 ou superior, saiba do que estou falando aqui - isso deixou os nerds doidos.
Melhor: Ela é um elfo druída nível 70, tem fantasia e curte roleplaying. Mulheres também são bem-vindas.
Obviamente o Esquadrão dos Adolescentes Tarados Moralistas caiu de pau (sem trocadilho) em cima dela, xingando-a como só um machão imberbe de teclado sabe xingar.
O lado que ninguém vê: A graça não é pagar 5000 peças de ouro pra transar, a graça é ser uma jogadora de Warcraft. Você está pagando pela fantasia, não pelo ato em si. Eu diria que o sujeito está pagando pelo ato de pagar para transar com uma gamer de Warcraft disposta a transar por peças de Ouro. Entendeu? É, eu sei, ficou estranho. Mas é mais ou menos isso.
Até porque 5000 peças de Ouro no Warcraft valem, no mercado real, entre US$500 e US$800. Com isso você contrata a Madame Bela (que tem um visual bem mais interessante que a nerdinha da foto) por 12 horas e ela te chama de Aragorn com o maior prazer. Ou Legolas, se quiser que ela leve a cinta-dildo. Sei lá.
Unindo o útil ao agradável, em menos de uma hora a moça da foto conseguiu o que queria. Depois postou a resposta:
“Oi, gostaria de agradecer a todos os idiotas que acharam que seria engraçado postar minha foto pela Internet e criar 50000 threads sobre mim nos fóruns de Warcraft. Eu consegui minha Montaria Épca em mais ou menos uma hora e foi bem agradável para ambos os envolvidos, enquanto todos vocês idiotas provavelmente gataram centenas de horas para conseguir suas montarias, ou nem mesmo as têm.
Eu não vou revelar meu nome ou o dele, mas bata dizer que se eu encontrar qualquer um de vocês no jogo vou matá-los 280% mais rápido. E meu novo amigo gostaria de dizer a vocês, PUNKS para se ralarem. Estou planejando encontrar com ele de novo essa semana, ele faturou o dobro pelo Ouro gasto ;)
Então, falem o lixo que quiserem, eu tenho a MINHA Montaria Épica E transei, o que é mais do que vocês fracassados podem jamais esperar conseguir.”
“Nada é eterno, nem na Terra nem no Inferno”, já dizia Etrigan. Se bem que naquele tempo achávamos tudo um paraíso, satisfeitos com os programas que utilizávamos para acessar nossos BBSs, e eventualmente até a Internet. Só que se tudo muda, os programas precisam mudar também. É uma transição difícil de perceber, mas quando vemos o que nos era familiar, se foi. MOR-REU. Eu não sei exatamente qual a última vez que usei a maioria desses programas, só sei que tinha certeza de que estariam sempre em meu disco.
Bem, certezas existem para ser quebradas, assim como tenho a certeza de que a maioria dos leitores nunca chegou perto dessas peças de software essenciais para todo mundo no final dos anos 80.
1 - ARJ Mais poderoso e rápido que o PKZIP, o ARJ era o formato preferido nos BBSs, em uma época onde cada byte contava. Na configuração mais compacta, um 386 penava para abrir um ARJ, mas pelo menos não pagávamos tanta conta telefônica. Com a chegada do Windows e do Winzip, a demora do ARJ em prover uma versão gráfica foi sua ruína.
2 - FDREAD / FDFORMAT Quando muita gente tinha furadores para abrir um buraco e transformar um disco de face simples para face dupla, o FDFORMAT era uma maravilha; quase que dobrava a capacidade de um disco, contornando a formatação padrão e espremendo muito mais dados em um disco. Claro, de vez em quando davam erro de leitura, mas ninguém é perfeito.
3 - KEYBBR / UNIKEY Em uma época onde cada programa tinha seus drivers de vídeo, onde existiam centenas de páginas de código para caracteres, era raro um programa funcionar do mesmo jeito em dois computadores, pois tinham teclados diferentes, monitores diferentes, configurações diferentes. Para complicar as impressoras também tinham tabelas de caracteres próprias, mais ou menos padronizadas. Mais para menos.
A dupla Keybbr / Unikey era a salvação, pois permitiam que a acentuação fosse feita da maneira natural (acento + letra) em qualquer máquina rodando DOS, e em geral funcionavam na impressora também. O Unikey era criação de Julio Botelho, e rendeu um bom dinheiro, principalmente pelo bom suporte. Conheci uma usuária maravilhada, pois o Júlio escreveu um driver de impressora somente para a máquina esquisita que ela comprou em uma viagem aos EUA.
4 - PROCOMM PLUS Era o Rolls Royce dos programas de terminal. Vinha com macros, diversos protocolos de transferência de arquivo (XMODEM, ZMODEM, KERMIT) e era possível automatizar toda uma sessão. Alguns felizardos eram inclusive usuários registrados. Menção honrosa para o também bom Hyperterminal.
5 - ADOBE TYPE MANAGER Quando não existiam fontes TrueType, a melhor forma de ter fontes decentes no Windows era usar Postscript. Para isso o programa AdobeTypeManager era essencial. Infelizmente ele apresentava muitas incompatibilidades com o Windows 95, então seus usuários começaram a desistir, já que para o dia-a-dia o TrueType resolvia. Não havia mais motivo para em um ambiente não-profissional ter um gerenciador de fontes Postscript.
6 - HOTDOG Um dos primeiros programas que comprei, um editor HTML que hoje seria visto como primitivo, mas era o melhor que existia, no século passado. Mesmo com a chegada do famigerado Frontpage não o abalou. Hoje, com a especialização dos webdesigners, com os Dreamweavers e Flashes da vida, o HotDog é só uma lembrança, mas uma lembrança boa.
7 - SIDEKICK O segredo era TSR. Terminate and Stay Resident. Antes da multitarefa que até um celular (menos um Palm) possúi, você não conseguia executar dois programas ao mesmo tempo. Mesmo assim um grupo muito inteligente descobrir que era possível manter um programa em uma posição de memória protegida e chamá-lo, quando de uma interrupção de hardware. Como… O pressionar de uma tecla.
O Sidekick era um mini-aplicativo com calculadora, bloco de notas e outros pequenos ajudantes, presente em 9 entre… 9 computadores. Todo XT tinha uma cópia (Pirata, viva a Reserva de Mercado) do Sidekick rodando.
Tentaram criar uma versão para Windows, mas a multitarefa cooperativa do Windows 3.1 já era suficiente para tornar o Sidekick obsoleto.
8 - AFTERDARK Enquanto todo mundo babava pelos adolescentes de 30 anos em Barrados no Baile, os nerds babavam com a lanchonete onde Brenda e Sua Turma de encontravam, o AfterDark. Completo, com Logo idêntico ao screensaver que trazia as imortais Torradeiras Voadoras.
Durante um bom tempo um passatempo entre os micreiros (sim, na época a gente se identificava como micreiro) era colecionar expansões para o AfterDark. A de Jornada Nas Estrelas era especialmente interessante. Com o passar dos anos, qualquer um fazia screensavers para Windows, muitos gratuitos, e o AfterDark foi perdendo sua base de usuários.
9 - XTREE GOLD O melhor, mais prático e mais eficiente gerenciador de arquivos para discos com tamanhos razoáveis. Um usuário experiente copiava, colava e editava arquivos com o XTreeGold mais rápido do que qualquer um usando um Gerenciador de Arquivos, mesmo hoje em dia.
Infelizmente o que é bom para um micro com disquetes ou um HD de 10MB é inviável para um computador com dezenas de Gigabytes, e usar o XT GOLD (como era informalmente conhecido) deixou de ser interessante.
10 - TRUMPET / WINSOCK Quando a Internet começou a se popularizar, ninguém tinha idéia do que era TCP/IP, nem o Windows. Era preciso instalar um socket TCP/IP para que o protocolo fosse reconhecido, e um programa chamado TRUMPET, para ativar a conexão. Imagine 10 vezes mais opções do que qualquer conexão DSL, sendo que do lado de lá o provedor não sabia muito bem o que configurar também.
Todos os usuários avançados faziam testes, as vezes às cegas, para tentar colocar a Internet de pé. Quando alguém conseguia, corria para os foruns do BBS e repassava a configuração.
Claro, isso tudo para 30 ou 40 usuários simultâneos poderem compartilhar um link (caríssimo) de 64KB.
Existem algumas lendas que não conseguem ser desmistificadas. Uma diz que só Jorge Amado e Paulo Coelho vivem de livro no Brasil (hoje em dia nem o Jorge Amado). Outra diz que não dá pra viver de Internet no Brasil, só quem consegue é o Interney. Mentira. Um monte de gente vive de livros, eu mesmo passei alguns anos só com os royalties de meus livros de informática, ainda estaria com eles se não fosse uma editora picareta. Na parte da Internet, resolvi tocar um projeto para provar que não só é possível, como qualquer um (mesmo eu) com paciência e perseverança consegue tirar um trocado da Net.
Hoje, menos de seis meses após o lançamento do Contraditorium, e menos de um ano do relançamento do carloscardoso.com, fico feliz em comunicar que meus rendimentos via AdSense cresceram, do equivalente a um trabalhador infantil em uma fábrica chinesa, para o equivalente ao salário de dois médicos cubanos, ou SMC$2,00!
Antigamente todo mundo dançava funk. Melhor ainda, ouvia funk. Nomes como James Brown eram deuses, Apollo foi uma entidade batizada em honra ao teatro, não o contrário. No Brasil monstros como Tim Maia misturam vozes excelentes com músicas fantásticas.
Aí veio um bando de delinqüentes, passou a mão no nome Funk e transformou um gênero musica de primeira em trilha sonora de candidatos a bandidinhos e desqualificados.
Hoje quem manda no Funk brasileiro é gente do calibre de Tati Quebra-Barraco e Micheli Foguenta (não estou inventando!). Por sorte quanto se passarem uns 5 ou 10 anos, ninguém mais ouvirá falar delas, e com mais algum tempo o Funk verdadeiro voltará a suas origens, como por exemplo essa apresentação do Stevie Wonder, em 1973, na Vila Sésamo. Dizer que isso é o mesmo tipo de música que uma que diz que “Vou comprar um fogão Daku é bão/ Daku é bão” é no mínimo uma heresia.
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