Cloverfield é aquele filme-secreto do criador de Lost (e de Felicity, mas ele deixa isso fora do currículo) e que em teoria seria o Filme de Monstro do Século XXI.
Confesso, eu não gosto do JJ Abrams e do hype que ele criou em cima de Lost, uma espécie de filho bastardo de Arquivo X com Gilligan’s Island. Mas ele está fazendo um trabalho pra lá de decente com Star Trek, e TODAS, TODAS as resenhas de seu Filme Secreto de Monstro, Cloverfield, têm sido maravilhosas.
A idéia é que Cloverfield seja um clássico filme de monstro, mas visto pela peãozada, pelo pessoal que costuma ser esmagado pelo Godzilla, não com aquela visão divina onde sabemos tudo que acontece o tempo todo.
Ele conseguiu?
Não sei. Amanhã eu digo, depois que voltar da sessão para blogueiros na cabina da Paramount.
De todas as propostas comerciais que recebi essa foi a mais sincera. Bem, se os caras querem se dar ao trabalho de enviar um trambolho de uma caixa aqui pra casa, quem sou eu pra dizer que não.
O Grill chegou quando eu estava viajando, então levei quase um mês para experimentar.
Dada a qualidade do lixo que anunciam nos programas de televendas nas manhãs da TV, não esperava muita coisa, mas não é que o negócio é bom?
Nada daquelas porcarias chinesas vagabundas que esfarelam só de olhar. O Grill é pesado e resistente. O Teflon dele é de primeira. Ei, eu compro MUITA panela vagabunda, eu sei reconhecer Teflon bom!
A história por trás do Grill, se a Wikipédia não está mentindo, é que ele foi inventado pelo próprio George Foreman, e que ele ganhou mais dinheiro com o Grill do que em toda sua carreira como pugilista. Algo em torno de US$150 milhões.
A idéia é genialmente simples: Ao invés de uma chapa como vemos em lanchonetes, ou frigideiras, onde a carne flutua na própria gordura e vai depois direto pras suas artérias, temos uma grelha com raias profundas e uma inclinação acentuada. Isso faz com que assim que as gorduras nojentas (ou graxa, como dizem os gaúchos) se liquefaçam, escorram grelha abaixo, caindo em uma bandejinha especialmente projetada para mostrar o resultado:
Nojento, não? Mais nojento ainda é saber que quando você come um bife frito pelos métodos tradicionais você está BEBENDO isso.
Como assim sem botões?
Isso mesmo. Parece o iPhone, se bem que esse tem um botão. A idéia aqui é bem filosofia da Apple: “Simplesmente funciona”. O modelo que testei não tem botões, controles de temperatura, 20 programas diferentes, nada. Sequer botão de ligar/desligar. Você enfia o plug na tomada da parede, ele começa a funcionar. Um termostato interno vai manter a temperatura da grelha constante, e uma lâmpada indicará que ele está ligado aquecendo. Caso a temperatura ultrapasse o indicado, ele se auto-desliga por uns momentos, e a lâmpada apaga.
Dieta Forçada
O modelo que ganhei (cês num vão querer de volta, né, pessoal?) é o GBZ4I, uma nomenclatura muito sem-graça para um produto que se anuncia como Lean Mean Fat-Reducing Grilling Machine. Não é muito grande, não dá pra grelhar um porco, exceto em partes. Mas dá para fazer uma boa refeição para um casal, ou uma refeição razoável para um blogueiro esfomeado.
Limpeza
Eu odeio lavar panelas. Louça tudo bem, mas panelas e apetrechos me enchem o saco. Como aquele processador com 3421 partes, que você usa para picar alho (cacófato proposital) por 0,04s e depois gasta 40 minutos lavando cada uma das 3421 partes. O Grill acima pode ser limpo com uma esponja úmida, ou como descobri, com toalhas de papel. É até melhor, pois deixam uma fina camada de óleo, que protege contra a corrosão e dá um gostinho extra à carne.
Para os casos extremos, ele vem com uma pazinha de prástico com uma frente dentada que se encaixa na grelha e ajuda a remover os detritos mais insistentes. Pela minha experiência o tempo de limpeza é de menos de 1 minutos.
Problemas
Cozinhar com grill demanda cuidados especiais. Se a carne não for temperada com antecedência, não ficará boa. Ele é MUITO rápido, não dá tempo do tempero passar para a carne. Portanto, planeje. Também é preciso prestar atenção na ALTURA da carne. O grill aquece dos dois lados, portanto nem é preciso virar a carne, mas se um bife tiver 3cm de altura e outro 1cm, o cozimento será desigual.
Outro aviso: Lingüiças explodem. Sério. Sugiro veementemente que você encarne a Lorena Bobbit e ataque a lingüiça sem dó. Fure-a várias e várias vezes. Do contrário a gordura irá se expandir, esquentar e esperar pacientemente até você levantar a tampa para olhar diretamente para ela. O resultado? Você vai virar o Falcão 7.
Dizem que o grill é bom para grelhar vegetais, mas eu não vou desperdiçar um equipamento desses queimando mato. Melhor usar para fazer um hamburger 100% de bacon.
Ah, na parte de cima há um compartimento aquecido onde você pode esquentar sua bisnaga. (isso soou tão ruim quanto eu pensei?)
Conclusão
Você não vai viver 100 anos se ficar se entupindo de bacon e lingüiças, mas pode ganhar alguns anos, se diminuir a quantidade de gordura ingerida. Já que não está em seus planos comer comidas saudáveis (e sem-graça), o grill do George Foreman é um excelente auxílio. Tem até Selo de aprovação da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Eu fiquei impressionado quando vi uma linguiça murchar para 1/3 de seu tamanho (SEM PIADAS, BANDO DE PALHAÇOS!). Quando fazia frita na frigideira, linguiças tendiam a encolher no máximo uns 20%.
O modelo testado custa R$189,90 e pode ser encontrado aqui. No meu Flickr tenho outras fotos dele em ação, mas aviso que na vida real a comida NÃO fica tão bonita quanto nos anúncios.
Nota: Este NÃO é um post patrocinado. Se fosse garanto que custaria mais de R$189,90. É uma resenha onde o fabricante fez uma aposta. Se o Grill tivesse explodido ou eu achasse uma bosta, o prejuízo deles seria bem maior que R$189,90. Embora à primeira vista pareça que estou levando prejuízo, eu acho essa forma de divulgação bem saudável.
Deixar de usar uma piada óbvia pode parecer bom a princípio, mas depois que outro usa a mesma piada você se sente mal, Portanto quero ser o primeiro a dizer, depois de assistir uma sessão especial de Paranóia, o novo filme de Shia LaBeouf, o guri de Transformers que só se garante mesmo com um Camaro Amarelo que vira um Autobot.
Ele parece, à primeira vista, um loser cujo único prazer na vida é ficar espionando os vizinhos, principalmente o lindo piteuzinho interpretado pela gatíssima Sarah Roemer.
Parece familiar? Vamos trocar Shia LeBeouf por James Stewart, o piteuzinho pela Grace Kelly, e temos Janela Indiscreta 2 – um novo recomeço? Pois é, foi a impressão que tive quando li a premissa e vi o trailer. Acho que quem editou o trailer também não viu o filme, só pode ser. Não tem nada de cópia de Janela Indiscreta, refilmagem disfarçada e outras acusações injustas que já vi por aí.
Quem diria, um filme que quase foi injustamente destruído por seu próprio trailer. Confira:
Posso dizer: A PREMISSA de Janela Indiscreta existe, claro, mas fora isso o filme é completamente original. O personagem do Shia não é um loser completo, nem um geek. É um adolescente normal, que passa por uma tragédia familiar, não consegue lidar bem com ela, faz uma besteira e ganha uma prisão domiciliar por causa disso. Começa a espionar os vizinhos, se interessa por sua MARAVILHOSA (e totalmente Legal, tem 23 aninhos) vizinha, acaba ficando amigo dela. Ao mesmo tempo um vizinho esquisito começa a dar indícios de que possa ser um psicopata, daqueles bem maus, de fazer o Dexter ficar com inveja.
Será paranóia do Shia? Ele estará vendo coisas? O cara é mau mesmo ou só esquisito?
Digamos que mau ele é. E isso não é spoiler. Quem faz o papel de vizinho esquisito é o David Morse, que fez o policial Tritter, o sujeito que quase mandou o House pra cadeia. Se é mau a ponto de psicopatar alguém, são outros 500. Só sei que há uma cena onde ele entra no carro do piteuzinho, para pedir educadamente que parem de segui-lo, e deu pra sentir o medo da menina. Morse é MUITO bom. Não passaria nem pensamento, se fosse comigo. E se entendem o que quero dizer.
Pra piorar ele vira amiguinho da mãe do Shia, uma bela MILF, que com minha incapacidade de reconhecer fisionomias só fui identificar como a Trinity, de Matrix, lendo os créditos.
O filme faz um bom trabalho de construção de personagens, o trauma do Shia é explicado na seqüência de abertura, aliás uma bela seqüência, bem “nua e crua”, no sentido figurado. Calma. Não tem psicopata tão cedo assim, nem ninguém pelado. Só a Sarah Roemer de biquini. (eu disse “só”?)
Shia tem problemas, mas não é um jovem atormentado, não vira Emo nem nada, procura levar a vida de forma normal. Tem um Xbox360, usa iTunes e um iPod faz parte de uma das cenas mais engraçadas do filme. Todo mundo que tem um se identificou com o horror em seus olhos.
Calma aí. Cenas engraçadas, não era filme de terror?
Felizmente não, ou eu nem sairia de casa. Classifico como um filme com um roteiro principal baseado no suspense pontuado por cenas de dia-a-dia, onde os jovens riem, brincam e pregam peças nos outros. Aliás, palmas pro roteirista pela “cena do japa”, onde todos nos sentimos solidários com o Shia e sua intenção de espancar até a morte o melhor amigo ;) Sério, ele merecia.
Esse filme foge daquela linha de terror “quanto mais sangue melhor”. Ainda bem. Só vi um trailer e uma ou outra cena daquele “O Albergue”, e li sobre outros filmes dessa safra, e sinceramente quem se diverte vendo gente sendo torturada e mutilada “a sério” deve passar a maior parte do tempo online procurando fotos de cadáveres das vitimas da TAM, ou algo assim.
Eu gosto do bom terror da Hammer, do terror farofa de Blade e Evil Dead, ou do terror onde o orçamento de sangue cenográfico não ultrapassa o cachê do ator principal, como A Profecia, O Exorcista, O bebê de Rosemary.
Assim, se você gosta de um filme de suspense, com algumas cenas até fortes, mas sem a sangueira habitual, eu recomendo. Não é um blockbuster, não vai revolucionar a Arte Cinematográfica, mas é um bom pequeno filme. Cumpre sua função de entretenimento, sem chamar o espectador de idiota.
Foram meros US$20 milhões de dólares, ou o orçamento usado para renderizar as calotas de Optimus Prime, mas foram bem gastos.
Principalmente, o filme não cai em várias armadilhas chatas, como repetir até cansar o clichê “ninguém acredita em mim!” ou colocar um atleta/playboy como adversário do protagonista pelo amor da mocinha.
Para os geeks é uma festa visual. São câmeras, celulares, SMS, Handycams, transmissores sem fio, microfones, telas de cristal liquido, iPods, computadores, toda a tralha típica de um geek moderno. E incrivelmente tudo usado de forma correta, fora um inevitável ”zoom-CSI”.
E não, desta vez o XBox 360 não se transforma em um Decepticon.
Ah, não deixe de ver a sensacional vingança do Shia contra os filhos da vizinha. Foi de uma maldade digna de um psicopata. Se é que vocês me entendem.
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