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Vejam o drama: Estou em São Paulo, cobrindo a Futurecom para o MeioBit. Chego no hotel, me acomodo e faço o que os comerciais da CNN dizem que todo sujeito bem-sucedido faz, ligo a TV e coloco na CNN.
Quer dizer, em teoria. Era isso que eu pretendia fazer. Até pegar o controle remoto.
Eu sei que as setas são provavelmente volume e canal, a matemática me dá 50% de chance de acertar de primeira. A experiência me dá 100% de chance de errar e mudar o canal quando queria aumentar o volume.
A experiência, claro, ganhou.
Só que agora o telefone toca, quero cortar o som. Olho o controle e fica a dúvida:
O botão que vou apertar tem o ideograma para mute ou o ideograma para chamar Dominatrix Alemã travesti superdotada (não falo de QI) ativa que só pode ser mandada embora se eu usar a palavra de segurança?
Com a minha sorte normal, o fato de estar escrevendo isto aqui já diz a vocês que não apertei botão nenhum, né?
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Oct
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He-Man on Ice. Lamento informar, mas se você viu até o fim, acaba de se tornar legalmente gay.
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Oct
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A pareidolia é um fenômeno conhecido, é a capacidade do cérebro humano de perceber estímulos sensoriais vagos e aleatórios como algo significativo. Tanto pode ser inofensivo como reconhecer animais e objetos em nuvens como pode ser danoso, no caso de gente que perde tempo e dinheiro fazendo romarias para ver manchas em janelas achando que é a Virgem Maria.
Pesquisadores acreditam que a capacidade de reconhecer rostos humanos com um mínimo de informação sensorial é uma vantagem evolucionária, ajudando os infantes a reconhecerem outros de sua espécie.
A pareidolia entretanto não se resume a rostos. A capacidade de reconhecer outro humano inclui muito mais, dados como postura, tamanho, cor e proporção fazem parte do pacote e são analisados pelo cérebro. Quando um dos dados destoa do resto temos um verdadeiro curto-circuito, gerando reações como o extremo desconforto que temos a ver esta foto:

Eu sei que é um cachorro. Está na cara. Mas a pose é tão humana que algo no cérebro apita. “é gente!” ao mesmo tempo em que outros sinais conflitantes dizem “é um cachorro”.
Notem que o mesmo efeito não é conseguido vestindo animais com roupas, por exemplo. Não nascemos pré-programados para identificar roupas como algo humano.
O cérebro humano é uma máquina maravilhosa, mas como todo fruto da Evolução tem um monte de limitações, “legado”, como chamamos em informática. Por isso ficamos incomodados com o cachorro.
Um bom teste: Tente dizer as cores das palavras abaixo. Não o que está escrito, mas a cor das letras, em voz alta. Muito provavelmente você não vai conseguir sem uma pausa para “pensar”:
VERDE
VERMELHO
AMARELO
AZUL
Foto do cachorro achada no www.digg.com
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Oct
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De vez em quando aparecem algumas pérolas em meu email que precisam ser divulgadas. No caso é a Tira do Jesus, do Marcelo Hessel.
O quadrinho tem altos e baixos. Como a maior parte da produção nacional é esforço individual, o que resulta em algumas gags que poderiam ser melhoradas se discutidas com um co-autor, e mesmo idéias que não deveriam ser levadas adiante. A falta de um editor no quadrinho online gera isso. Blogs sofremos do mesmo problema.
O Marcelo também abusa do recurso do palavrão, o que dificulta a popularização da tira em outros meios, e banaliza o recurso. O Marco Aurélio, do Jesus, me Chicoteia no começo de sua releitura da bíblia também colocava um palavrão a cada 4 palavras. Com o tempo foi melhorando o estilo e hoje faz uso do recurso de forma muito melhor. Vejam o começo da versão dele de Reis II:11:
(II Reis 11)
— Eu sou rei ou não sou?
— Claro que é, majestade.
— ENTÃO EU QUERO UM LEÃO, CARALHO!
— Majestade, essa linguagem não é adequada…
— CA-RA-LHO! CA-RA-LHO! CA-RA-LHO!
— Tudo bem, majestade, vou arrumar seu caral… digo, leão. Só vamos precisar construir um muro bem alto no pátio, senão ele come a girafa que o senhor também pediu. Fora isso, há mais alguma coisa que eu pos… majestade?
A Tira do Jesus ainda não tem esse grau de refinamento, mas vale à pena acompanhar, acho que logo,logo o Marcelo vai achar a afinação ideal e soltar muita coisa boa. Vejam a tira ao lado e digam se não é algo promissor.
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