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Exmo Juiz Manoel Maximiano: Só pra lembrar, há juizes gays também
arquivado em Fenomenologia | Technorati: Veja a reação da blogosfera | Feed de comentários deste postComo bem disse o Plástico Bolha, parece coisa minha ou do MrManson, o caso do Juiz de Direito Manoel Maximiano Junqueira Filho, que emitiu uma sentença negando uma ação movida pelo jogador Richarlyson (O Plástico-Bolha diz que ele é dos “Bambi”, como eu não entendo nada de futebol não sei qual o time) contra José Cyrillo Jr, do Porco (esse eu acho que é o Palmeiras) por ter sido chamado de homossexual.
Acho ótimo. Em um mundo ideal “homossexual” seria tão xingamento quanto “baiano”, “sorveteiro” ou “maneta”. No momento em que o sujeito se ofende por ser chamado de homossexual está demonstrando no mínimo tanto preconceito quanto quem emitiu a “ofensa”. Isso já seria motivo para anular o caso. Mas o Exmo Juiz resolveu ir adiante.
Em sua sentença, que pode ser lida aqui, ele parte para uma linha de raciocínio onde demonstra uma homofobia quase patológica, afirmando inclusive que gays não podem praticar o nobre esporte bretão.
3. B - se fosse homossexual, poderia admiti-lo, ou até omitir, ou silenciar a respeito. Nesta hipótese, porém, melhor seria que abandonasse os gramados…
Há outras pérolas, como:
5. Já que foi colocado, como lastro, este Juízo responde: futebol é jogo viril, varonil, não homossexual. Há hinos que consagram esta condição: “OLHOS ONDE SURGE O AMANHÃ, RADIOSO DE LUZ, VARONIL, SEGUE SUA SENDA DE VITÓRIAS…”.
Com certeza, meritíssimo. Futebol é algo viril, varonil, não há lugar para nada nele além de machos incontestáveis, deuses de ébano com músculos de aço correndo como guerreiros de Atenas.. uuuuiiaa.
Será?
Se o senhor gastasse menos tempo preocupado com a testosterona dos jogadores, teria tomado conhecimento que o Brasil foi inclusive Medalha de Ouro no Futebol Feminino nos Jogos Panamericanos.
Mais adiante o Exmo Magistrado explica que não é contra gays jogarem futebol…
9. Não que um homossexual não possa jogar bola. Pois que jogue, querendo. Mas, forme o seu time e inicie uma Federação. Agende jogos com quem prefira pelejar contra si.
14. O que não se mostra razoável é a aceitação de homossexuais no futebol brasileiro, porque prejudicariam a uniformidade de pensamento da equipe, o entrosamento, o equilíbrio, o ideal…
Hum. Uma federação só de jogadores gays? Mas… por que motivo, Exmo?
15. Para não falar do desconforto do torcedor, que pretende ir ao estádio, por vezes com seu filho, avistar o time do coração se projetando na competição, ao invés de perder-se em análises do comportamento deste, ou daquele atleta, com evidente problema de personalidade, ou existencial; desconforto também dos colegas de equipe, do treinador, da comissão técnica e da direção do clube.
Meu caro Juiz, sinceramente espero que a vida privada e orientação sexual de um profissional não seja desconforto para seus colegas de trabalho, pois nesse caso eles correriam o risco de uma demissão por justa causa. Como bem citado por um colega seu, “O direito ao trabalho é fundamento de nossa Constituição e direito humano fundamental e como tal não pode ser negado a ninguém“. Mas o direito desses acaba quando o direito de outros é ferido. Constranger colegas é errado. Mas quando o constrangimento é pelo simples fato de você existir, fica complicado.
Felizmente em nossa Constituição não há a figura de “banimento por desconforto”, conforme sugerido no ítem 9, do contrário, seguindo sua sugestão, não vejo como pararíamos, fazendo com que os gays tivessem suas próprias ligas de futebol, de basquete, de teatro infantil… um belo dia o “desconforto” faria com que fizéssemos com que os gays usassem marcas que os identificassem. Como Retângulos Rosa, por exemplo.
Na verdade já foi feito, e não foi algo que a Humanidade deva se orgulhar.
Sua sentença é discriminatória em sua essência, Exmo. Eu aceito que, como todo ser humano, o senhor seja dotado de preconceitos e uma escala de valores, mas como um profissional da bola não deve deixar sua homossexualidade interferir com sua habilidade de fazer gols, sua intolerância não deveria interferir com sua habilidade de julgar e sentenciar com coerência, inteligência e Justiça, como se espera de um bom juiz.
Talvez o Tribunal de Justiça tenha levado isso em conta, quando o afastou do Processo.
De qualquer jeito, Exmo, gostaria de lembrar que nem todo Juiz é tão preconceituoso, nem gerou tanta imagem negativa para a profissão. Peguemos como exemplo o saudoso Jorge Emiliano, mais conhecido como Margarida, Juiz este homossexual assumido, repleto de trejeitos e maneirismos, adorado pelas crianças (nem por isso causando um “surto” de homossexualidade no Rio) e gerando aberrações como torcedores que iam aos jogos para vê-lo atuar, e não os times.
Margarida era tão gay quanto seu apelido, e tão juiz quanto os melhores que apitaram um jogo no Futebol Carioca. Acima de tudo, Exmo Juiz Manoel Maximiano: Margarida, dotado do que o senhor chama de “evidente problema de personalidade, ou existencial” não causava “desconforto” a seus colegas. A reação geral dos jogadores e torcedores que esse Juiz despertava é uma que o senhor no momento NÃO está tendo de mim: Admiração, carinho e respeito.







Plac, plac, plac, plac (som de palmas)
Parabéns Cardoso, pela coesão e entendimento de mundo moderno que falto ao “tal juiz”.
Talvez um tapa de luva não seja suficiente, mas um mês sem seu salário deva doer mais.
Cartão vermelho pra ele!!!
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Já existe “juízofobia” ?!?!?!?
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Eu ia começar o comentário com som de palmas, mas o JuCaBaLa já fez isto.
Defendeu a classe, hein?!
Mandou muito bem no texto. Ironia na dose certa e um banho de moral neste juizinho.
A propósito, não só não vejo problema em gays no futebol, como gostaria de ver a Marta jogando no Flamengo!
=D
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Recuso-me a acreditar.
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Baseado na experiência pessoal como estagiário de Direito, minha e dos meus colegas, aviso que muito trabalho dos juízes são feitos por funcionários da vara, escreventes, técnicos e estagiários.
Tenho muitos colegas que atuam como estagiários no poder judiciário e garante que fazem muito do trabalho de juízes que assinam despachos e sentenças sem ler.
Quando essa história chegou ao egroups da minha sala (no dia da sentença) um colega definiu a situação assim: “Isso tá com cara de: “O estagiário fez para me f.der e assinei sem ler”".
Se for mesmo isso, a história só fica mais engraçada pela burrice do magistrado, mas se foi o próprio quem escreveu essas asneiras…. fico pensando quantas pessoas assim ainda não estão no judiciário ou em posições em que possam carcar o ferro em representantes do grupo que odeiam?
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Cardoso,
Vc leu o artigo “Não existem homossexuais”, do João Pereira Coutinho na folha de ontem?
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq0808200710.htm
Imagino que vc tenha senha do uol, mas se não tiver me passe seu email que eu te mando o texto completo. Ele vai te ajudar na defesa da sua causa =P
[]´s
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Oie Cardoso,
Achei mto bons os seus comentários, infelizmente o nosso judiciário está cheio de pessoas extremamente conservadoras, às vezes conservadoras demais para aplicar os preceitos mais avançados contidos em nossa Constituição.
Ainda assim, acho que nesse caso o juiz pecou duas vezes, não só por ser conversavador num sentido mais jurassico da palavra, mas por ser completamente anti-ético em sua profissão.
De qualquer modo, não acho que uma pessoa se ofender por ser chamada de homosexual caracterize um preconceito semelhante ao de quem emitiu a “ofensa”. A questão da ofensa, ao meu modo de ver, vai além das palavras mas tem a ver com a situação e a maneira que a palavra é utilizada e como essa utilização atinge o alvo da “ofensa”. Para mim mesmo que ele seja homosexual, ele pode se sentir ofendido quando outro o chama de “gay”, não porque ser gay seja uma coisa ruim, mas porque a frase tenha sido proferida como uma ofensa. É (quase) a mesma coisa que acontece quando uma garota esta passando na rua e um cara a chama de gostosa, de certo modo, “gostosa” é um elogio, mas no contexto não deixa de ser uma ofensa.
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E um cara desses é chamado de doutor…
Faltou a parte que ele diz ( citando o dito polpular)
“CADA UM NA SUA ÁREA, CADA MACACO EM SEU GALHO, CADA GALO EM SEU TERREIRO, CADA REI EM SEU BARALHO”
hahahahahaha
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“No momento em que o sujeito se ofende por ser chamado de homossexual está demonstrando no mínimo tanto preconceito quanto quem emitiu a “ofensa”. Isso já seria motivo para anular o caso.”
Nem, ofensa à honra subjetiva dele.
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Marcelo e Daniel: vão catar coquinho vocês dois ;)
Dani: Concordo que a forma de expressar influencia, mas ninguém jamais foi processado por insinuar em um programa de televisão que um jogador de futebol é evangélico, descendente de italianos ou pescador amador.
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Cardoso, iria fazer um comentário mas faltam me pralavras… Você já disse todo o necessário.
Parabéns, ótimo texto.
Tomare que o juiz panaca pague e que não fique por isso mesmo, como sempre acontece…
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Depois ainda se perguntam pq advogados e juízes têm fama de ladrão, trambiqueiros. Fazem por merecer. E ainda tenho q assistir um estudante de direito dizer na televisão q foram bem tratados na delegacia por fazer o dia da pendura. Coitados dos donos de restaurante. Esses estudantes tinham q ficar um mes na cadeia servindo de noivinha pra assassino. Isso é roubo e ver futuros advogados roubando, é o mesmo q ver médico matando.
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Parabens pelo post. Realmente não há nada a acrescentar.
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@ Marcelo.Matos
Cara, também fui estagiário de Direito por bastante tempo. Estagiário raramente cria sentença do zero. Geralmente ele pega um modelo para casos qe são semelhantes.
Essa daí tem toda cara de ter sido escrita com todo carinho pelo Juiz.
Lembro-me da frase de um advogado que eu conheci: “Cabeça de Juiz é feito bunda de menino…”
É em momentos como esse que eu reconheço a sabedoria destas palavras…
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Depois de ler os comentários, acho que sacanearam o juiz mesmo… digo, o nível do texto dele está meio simples para um magistrado, não?
Aliás, o texto do juiz parece um tanto quanto sarcástico, não? Olha aí os estagiários de direito aprendendo da escola do Cardoso e do Mr. Manson!
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Marcelo.Matos e Weise, se o texto foi escrito por outra pessoa e somente assinado pelo juiz, sem ler, está caracterizando uma falha tão grave quanto se a homofobia foi de autoria do próprio. Afinal, a partir do momento em que a pessoa assina sob o texto, está fazendo suas aquelas palavras. Assinar sem ler é, no mínimo, imbecil. Claro que eu aceito se ele quiser assinar sem ler um cheque a meu favor.
Cardoso, eu fiz o mesmo comentário sobre a seleção feminina de futebol em dois outros posts que li sobre o assunto, no Sítio Paineira Velha e no Chá de Hortelã. O mais interessante é que os “machões” da seleção masculina nem passaram da primeira fase.
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Olha, eu acho que o juiz deveria ser imparcial sim.
Mas.. (sei que vou ser execrado por isso) acho que ele apenas confunciu as questões.
Explico: realmente a opinião do Juiz acerca de Gays Homossexuais, Boiolas ou seja lá o que for não interessa a ninguém, muito menos ao processo. O que ele estava julgando era o fato de o jogador ter se ofendido por ser chamado de Gay e julgou isso imporcedente pois o jogador realmente é Gay ou pelo menos é taxada de tal aldjetivo pela ampla maioria da população. Quanto a presença de jogadores gays no futebol, não acredito que fosse esta a queixa uma vez que a participação ou não de Gays no esporte não cabe a um julgamento unilateral de um juiz em um processo isolado. Eu particularmente acredito que Gays tem que ser banidos do esporte, da minha faculdade, da minha cidade e de todos os lugares aos quais eu frequento, mas nem por isso deixo de respeita-los como pessoas, mas não gostaria e não quero jamais ter que entrar em um vestiário com um Gay. Fechando: opinião pessoal cada um tem a sua, mas ela é apenas sua e não pode fazer parte de uma lei, sentença ou qualquer atitude que invada o espaço de outros.
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“Eu particularmente acredito que Gays tem que ser banidos do esporte, da minha faculdade, da minha cidade e de todos os lugares aos quais eu frequento, mas nem por isso deixo de respeita-los como pessoas”
Eu não li isso.
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Realmente existe coisas difíceis de acreditar que existem…
Espero que o juiz receba a punição merecida.
Parabéns pelo texto.
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Nossa,querer vê-los extintos é uma excelente forma de respeitá-los como pessoas! Acho que o comentário do enrustido aí de cima é um dos comentário mais estúpidos que já tive a infelicidade de ler.
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A cada dia eu boto mais fé na máxima do Cardoso: os comentários daqui chegam a ser mais engraçados que os textos. Acho que vou assinar os feeds dos coments também.
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Você fala de maneira muito educada e cuidadosa quando quer, Cardoso. Impressionante.
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Se o senhor gastasse menos tempo preocupado com a testosterona dos jogadores, teria tomado conhecimento que o Brasil foi inclusive Medalha de Ouro no Futebol Feminino nos Jogos Panamericanos.
OWNED!!!
Pois é, Daniel, ao invés de assumir que é ignorante e agredir do jeito tradicional, tenta atacar os homossexuais “educadamente” e acaba caindo em contradição. Patético.
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Enio,
veja bem, em nenhum momento eu disse que a possibilidade de a sentença ter sido escrita por terceiro retirava a culpa das costas do juiz.
Só disse que, se foi isso que aconteceu, aí seria cômico de verdade. Imagino no dia seguinte, o clima na vara. :P Deve ter sido pior que quando rolou aquela conversa de dois funcionários no msn, que foi publicada no diário oficial.
Eu acho que esse magistrado tem que se ferrar muito mesmo. Ou por ser um panaca, ou por ser vagabundo.
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@Marcelo.Matos (o outro, não eu), Eu sei que, em tese, estagiários só fazem sentenças e despachos em casos repetitivos, mas também sei que, se o texto for levado na hora certa, no meio de muitas outras coisas e por pessoa de confiança, o mesmo será assinado sem qualquer conferência. Juízes e promotores fazem isso. Não todos, mas é mais comum do que se imagina, ou deveria. Além do que, uma visita a qualquer repartição pública, especialmente no judiciário, mostrará que controle de processos não é algo levado muito a sério.
Outra coisa a se considerar, por mais preconceituoso que o juiz seja, acredito que ele teria bem claro que escrever isso aí daria o maior problema para ele. Mesmo acreditando estar certo, qualquer um se seguraria e ferraria com o coitado do jurisdicionado de forma menos explícita.
Estou mudando meu nick, e colocando um e-mail de verdade. Havia notado que o comentário do Cardoso (lá em cima, para mim e para o Daniel) soou como se eu já comentasse por aqui, mas apenas havia postado meu primeiro comentário nesse blog. Sou leitor novo.
Em tempo, eu conhecia a frase como: “Cabeça de juiz é igual bunda de bebê. Sempre sai m…” (Minha mãe usa muito).
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Addriano77,
Advogados e juízes têm fama de ladrões e trambiqueiros porque muitos o são. Ninguém fica se perguntando o porquê de algo tão óbvio.
Com relação ao “pindura”, é tradição iniciada pelos próprios donos de restaurantes.
Diz a lenda que os alunos da academia do largo de São Francisco (Atualmente, a faculdade da USP) e a primeira do país, freqüentavam botecos e restaurantes durante todos os anos do curso.
Em algum momento, donos de alguns dos restaurantes passaram a não cobrar no 11 de agosto pois era aniversário da faculdade, data especial para os clientes regulares (acho que o fato de quase todos os aluno do curso, na época, serem oriundos da elite ajudou os donos de restaurante a bolar esse agradinho).
Não demorou muito, e os alunos passaram a não esperar pela boa vontade dos restaurantes e comiam sem pagar no 11 de agosto de qualquer jeito.
O pior é que no fim dos anos 80 (89, se não me engano) houve uma sentença judicial, seguida por outras, inocentando alguns alunos da São Francisco que deram o pindura com o seguinte argumento: O artigo do Código Penal que trata desse crime, diz que é crime fazer uso de serviço de alimentação ou transporte sem ter condições para pagar por ele. Ora, os alunos tinham dinheiro, cartões e cheques. Todas as condições para pagar, se não o fizeram, foi pela tradição do pindura. Dizem que o juiz era franciscano. Não duvido.
Isso é sério e a sentença é transcrita, na íntegra, no verso de um ofício que o CA XI de agôsto disponibiliza, em agosto, para os alunos. Na frente, há o logo do CA, e uma carta agradecendo ao dono do restaurante por colaborar com a tradição. No verso, essa sentença. Também é organizado um multirão com ex-alunos, atuais advogados, que deixam seus celulares e ficam de prontidão para socorrer atuais alunos em delegacias.
Desde então, a coisa foi despirocando. Na minha opinião, o pindura é uma tradição que perdeu sua função e deve cair no esquecimento, para o bem de todos.
Primeiro que estenderam o pindura para todos os alunos de direito, sob o argumento de que comemora-se a criação dos cursos jurídicos no país, o que é verdade, mas como há mais faculdades de direito que McDonalds e filiais da Universal (somados), imaginem o impacto econômico disso. Só palhaçada! Pior, já vi muitos relatos de pessoas que deram pindura com gente que nem era estudante de direito.
Outra, o pindura deveria ser dado no dia 11 de agosto, apenas. Há quem veja um “período” do pindura que começa na semana anterior ao dia 11 e vai até uma semana depois. Palhaçada outra vez!
Se a justificativa é a brincadeira tradicional em comemoração à fundação da faculdade (ou dos cursos jurídicos, vá!) como fazer isso fora da data correta, e com gente que nada tem de ligação com a faculdade (ou curso)? Isso deixou de ser tradição e virou motivo para comer de graça e dar uma de esperto. Por essas razões, sou contra o pindura, nunca fiz e acho sacanagem com os donos de restaurante.
Há tradições muito mais importantes e que necessitam da luta pela sua manutenção. Vide a “PERUADA”. Foi-se o tempo dos pinduras lendários como aquele de 1981, em que uma aluna se passou por filha do embaixador da frança e marcou o “casamento” no Maksoud Plaza (um ex-professor meu foi um dos “padrinhos”):
“Prejuízo - O maior pindura da história aconteceu no dia 7 de agosto de 1981, quando 21 estudantes de Direito da USP foram ao restaurante La Cuisine du Soleil, do hotel Maksoud Plaza. Para não despertar desconfiança, eles inventaram uma festa de casamento. Durante o jantar, foram pedidos os pratos mais caros, além de 12 garrafas da champanhe Moët Chandon, safra 20 anos, e seis do vinho Médoc, safra 10 anos.
Tudo ia bem até que a notícia se espalhou e vários alunos apareceram para aproveitar a ocasião. Na hora da conta, que hoje ficaria em R$ 40 mil, os estudantes entregaram um ofício da faculdade ao gerente. A polícia foi chamada, mas os universitários acabaram sendo dispensados. O hotel abriu um processo contra o grupo, arquivado por falta de provas.”
fonte: http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG50325-6014,00.html
Sem falar que as regras básicas do pindura não são respeitadas por (quase)ninguém. São elas:
- Pindura É NO DIA 11 DE AGOSTO APENAS! (É tradição, é pela brincadeira, não é para comer de graça por uma semana.)
- APENAS ESTUDANTES DE DIREITO!(É tradição, gente de fora não faz parte e não entra no precedente jurisprudencial. Isso significa, cana)
- Ir em restaurantes nos quais se vá regularmente (a doutrina não é pacífica quanto à existência dessa, mas veja que a tradição indica uma origem ligada à camaradagem oriunda de relações comerciais regulares).
- Nada de comer em lugar barato. Se é uma data especial, de tradição, esta deve ser comemorada em um lugar especial. Nada de trocar o “Fasano” pelo “Angú do Augusto”. Para este, com o PF a R$7 e margens apertadas, fica complicado recuperar o prejuízo do calote de uma única refeição. Já no Fasano, com lucro por refeição muito mais generoso, o calote de um punhado de refeições pode ser recuperado até na mesma noite.
- Pagar SEMPRE as bebidas e os 10% pelos serviços dos garçons. (Isso sempre foi assim e é parte da tradição).
- Não se acovardar e não dar para trás. Isso significa não pagar nada nem se for ameaçado com a cadeia e tiver que virar a mocinha da sela (O que também é tradição na cadeia. Afinal, você não diz que tem amor à tradição?).
Dicas extras:
- Anunciar o pindura no horário de maior movimento. Quando o gerente não vai querer um escândalo. (Uma vez um grupo da faculdade anunciou o pindura perto do fechamento, na tradicional Pizzaria 1900 de São Paulo. O gerente enrolou até a saída de todo mundo, baixou as portas, chamou os funcionários com porretes e tudo foi resolvido rapidamente. Sem delegacia e sem calote. Tudo foi pago.)
- Em caso de ameaça, chame a polícia. Ninguém quer viaturas na porta do próprio estabelecimento.
- Qualquer coisa, saia do restaurante, que é a casa do adversário, e vá para o DP que, em tese, é território neutro.
- O delegado também é bacharel em direito e muito provavelmente também deu pindura. Veja nele um aliado em potencial.
- ATENÇÃO, muitos donos de restaurante, com razão, estão fazendo “acordos” com os delegados para “prensar” os estudantes. Lembre-se também que há delegados que no seus tempos acadêmicos, não deram pindura e são contra a prática. Se você estiver diante desse tipo de autoridade policial, veja a dica sobre não se acovardar e virar mocinha da cela (Por precaução, tenha OllaGel na carteira). Aproveite para ampliar sua vivência jurídica, conhecendo o sistema prisional brasileiro. Seu pindura não será uma noite perdida.
- Por último, dois tipos de restaurantes devem ser evitados a todo custo: Chuscarraria de Rodízio/Espeto Corrido pois todo garçom tem uma faca e um espeto na mão, e você não quer que o seu pindura vire um banho de sangue né? Outro tipo de restaurante a ser evitado são os de culinária oriental onde, do porteiro ao cozinheiro, todo mundo luta alguma coisa.
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Puta comentário longo do kct. Deu até uma saudade do meu finado blog. :)
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Apenas um pequeno comentário
o Margarida vive aqui em floripa (não sei se nasceu aqui), mas uma coisa, ele não é gay!
ele apenas criou um personagem e vive ganhando dinheiro com isso, afinal, ele nunca foi um juiz muito bom!
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Leonardo, esse é um imitador, o Margarida original era o Jorge Emiliano, morreu de AIDS muito tempo atrás.
[Responder]
Eu jamais levaria meu filho a jogo de hosexuais. Particularmente, acho que o homosexualismo fere oprincípio cristão. Acredito que Deus fez as coisas muito perfeitas e ao invés de criar “Evo” para Adão, criou foi a “EVA”, ou seja, feminino. Ao invés de criar “pares”, criou “casais de espécies”. Se estudarmos etimologicamente, perceberemos que sóé possível existir “casai” se houver seres de “gêneros diferentes”, ou seja, macho e fêmea. Reispeito a opinião de quem gosta, porém, no dia em que oficializarem futebol para gays, eu paro de ir aos estádios. Afinal eu tenho o direito de escolher com o que eu concordo ou não. Ou não tenho? Me desculpem os adeptos do homosexualismo, mas a própria Bíblia diz como é que as coisas funcionam. Se fosse para serem diferentes, seríamos todos hermafroditas. Outra hipótese seria não existir prole, pois pessoas do mesmo sexo não podem se reproduzir. Cada doido com sua loucura. Boa sorte para vcs na defesa de sua ideologia, porém, por mais que eu respeite, eu não concordo!!!!
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Se o Evo tivesse criado para o Adão, não estaria enchendo o saco como presidente agora. Teria sido uma boa idéia…
P. S.: há alguns séculos, a população mundial é excessiva. Nós, heterossexuais, nos empolgamos um pouco.
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