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Pesquisa revela: Gravidez indesejada aumenta criminalidade
arquivado em Fenomenologia | Technorati: Veja a reação da blogosfera | Feed de comentários deste postUm estudo de um pesquisador da Escola de Pós-Graduação em Economia (EPGE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) revela uma relação direta entre gravidez indesejada e criminalidade, usando dados do Estado de São Paulo. Também determinou que desigualdade social tem menos influência do que uma filhos indesejados. Segundo o estudo, “uma queda de 10% no número de filhos criados por mães solteiras provocaria uma redução de 5,1% na taxa de homicídios. Já uma diminuição de 10% na desigualdade reduziria a taxa de homicídios em apenas 1,7%.”.
São dados interessantes, baseados em matemática. Também fazem sentido se aplicado o bom-senso.
Ainda “segundo o pesquisador, o trabalho aponta o controle de natalidade como instrumento fundamental para o combate à criminalidade no Brasil. Pessoalmente, ele também defende a descriminalização do aborto.”
A idéia é que com planejamento familiar evita-se o abandono de crianças, casais com menos filhos podem prover melhores condições a estes, a educação pública consegue absorver essa menor quantidade de estudantes, e a médio prazo há um ganho social para todos os envolvidos.
Meus parabéns, meu caro Gabriel Hartung. Excelente trabalho, excelente pesquisa mas… snif… sinto um leve cheiro de DejaVu…. onde vi isso?
Ah sim, aqui:
Um trecho, desta excelente resenha:
O capítulo mais famoso de seu livro sobressai aos demais. Ao explorar a relação entre os abortos e as taxas de criminalidade, Levitt não se detém muito em como as escolhas são feitas, mas ao invés disso nas (involuntárias) conseqüências de tais escolhas. Ele argumenta que a queda nas taxas de criminalidade nos anos 90 se deveu ao aumento das taxas de aborto ocorrido dezoito anos antes – em 1973, o ano de “Roe x Wade”. Após peneirar através dos dados, Levitt concluiu que, apesar de outros fatores terem contribuído para a queda da criminalidade – mais policiamento, a queda do preço da cocaína de crack -, a causa mais poderosa era a demográfica.
Levitt escreve: “No entanto, o efeito mais dramático da legalização do aborto – e que levaria anos para se fazer sentir – talvez tenha sido o seu impacto sobre a criminalidade. No início dos anos 90, precisamente quando a primeira leva de crianças nascidas após o caso “Roe x Wade” chegava à adolescência – época em que os jovens do sexo masculino atingem seu auge criminoso -, o índice de criminalidade começou a cair. O que faltava nessa leva, é claro, eram as crianças mais propensas a se tornarem criminosas”.
É um excelente livro, eu recomendo. Eu já li, e pelo visto o Gabriel também.





Aloha Chefe!
Excelente livro. Acidentalmente, Steven Levitt ganhou o Nobel de Economia.
Cita tambem J. Kenneth Galbraith, e o “senso comum”. Assutadoramente familiar.
Não conseguir perceber, antende-se. Não querer acreditar, é … funk, pagode….
Aloha!
Já tinham me falado sobre este livro. Espero adquirir em breve e espero conseguir tempo para ler-lo.
[]’s
Excelente. Prepare-se para o contra-ataque de xiitas de todas as matizes. :)
o pior de tudo é que ainda há pessoas que acham que podem impôr certas coisas através da lei.
pessoalmente (veja bem, *pes-so-al-men-te*), sou radicalmente contra o aborto (com algumas exceções, como na lei atual), no entanto, por mais incrível que seja uma mulher, diante de todos os meios possíveis e (in)imagináveis para se evitar uma gestação indesejada, ainda conseguir a façanha de ficar grávida indesejadamente, isso é um fato consumado, gostemos ou não.
e, sendo um fato, significa que, se elas bem quiserem e bem entenderem, elas vão abortar, seja isso legal ou não, ofenda isso a vã moral alheia ou não. é como a pirataria: por mais dura que seja a lei, a tecnologia anti-pirataria e tudo mais, como se fazer valer uma lei para pessoas que simplesmente não a apóiam moralmente? fica meio difícil, né..
assim, só temos dois cenários possíveis: um no qual o aborto é ilegal e a mulher é obrigada a recorrer a clínicas clandestinas, e outro no qual o aborto é legal e ela pode fazer isso de forma absolutamente segura. em ambos os casos, vai ter aborto de qualquer jeito, se ela bem entender. então, pra quê resistir?
o mais engraçado de tudo é que, como sempre, nossos queridos políticos preferem resolver complexas questões pelo caminho mais simplista e superficial de todos. defendem uma porcaria de um texto legal, sem qualquer efeito moral sobre as pessoas, como se isso, simplesmente, fosse acabar com esse covarde crime contra à vida. duvido que eles sequer tenham, ao menos, se dado o trabalho de analizar estatísticas e estudos como esse que você mostrou para entender o problema pela dimensão que ele merece ser visto.. ou será que eles são tão
burrosinocentes assim e realmente acham que as mulheres abortam seus filhos porque elas acham isso tudo muito divertido? ..Bem, a mãe do entregador de jornais que achou E DEVOLVEU 6 mil reais ao dono tem 7 filhos. O pai do marginal-de-classe-média que espancou a doméstica na parada de ônibus tem 2.
Acho que qualquer tentativa de associar controle de natalidade à diminuição da violência ou descriminalização do aborto como forma de combate à criminalidade, desprezando fatores como meio e educação familiar, encosta perigosamente no conceito de eugenia, até por tentar fazer crer que a violência é inerente a quem é menos favorecido economicamente.
Defender o aborto como método de evitar o surgimento de futuros criminosos é punir por antecipação e atribuir um caráter totalmente ingênuo ao problema que tem raízes bem mais profundas.
A correlação pode até ser verdadeira, mas não é por isso que vamos sair por aí esterilizando pobres não é?
Abraço
O trabalho do Steven Levitt é criativo e estatístico. E sim… ele não diz que apenas o aborto diminui a criminalidade. Talvez seja o tema mais polêmico, mas entre outros fatores que destaca, posso citar: aumento de contingente policial e perspectiva maior de chances de ser punidos (esta uma falha absurda brasileira).
A discussão não se baseia na quantidade de filhos e sim na recepção familiar. Uma família pode ser pobre, mas se a mãe tem com bem-vindos os filhos, em nada aumentaria as chances destes entrarem na criminalidade.
Antes de criticar a idéia, é melhor entender a abrangência do livro. Por sinal, até agora, o melhor livro que li na minha vida.
Cardoso,
Eu já li o livro e quando li o título pensei imediatamente nele.
Acredito muito na importância, relevância, dessas pesquisas. Principalmente as realizadas fora do ambiente onde Freakonomics foi escrito. Assim suas teorias ganham maior embasamento.
[],
AC
Vocês sabiam que o autor do livro mantém um blog com a continuação das pesquisas e publica, inclusive, novos ataques ao senso-comum?
http://www.freakonomics.com/blog/
[],
AC
Pq não?
Tem uns cara que contestam a teoria do Freakonomics.
http://www.isteve.com/abortion.htm
[],
AC
Conheço, assino o feed do Levitt e sou pretensioso a ponto de ter deixado comentário lá algumas vezes ;)
Sim, tem gente que contesta até a Teoria da Evolução e a Terra girar em torno do Sol. O Levitt deu uma boa resposta, no blog, sobre isso.
Aloha Chefe!
Comentando…
Gabriel: não seria antecipação de punição, pois nem o tal crime haveria, e isto não se pretende “minority report”, mas o que se foi levantado de melhores condições.
Inclusive, num dos capitulos finais do livro, existe comparação entre dois homens, familias e destinos.
Fernando: Não é proposto esterilização, mas possibilidade, legal e moral, de efetuar um aborto. Conforme o Glaydson comentou, qualidade de vida, ou alguém acha que ser da segunda geração de crianças de rua se assemelha a justiça social ou, no mínimo, um que eles tem chance de um futuro promissor?
Morróida: “Pq não?” … Basicamente porque seria errado. Muito semelhante ao que os nossos dePUTAdos e demais políticos querem fazer agora. Acabar com a liberdade de escolha.
Claro, devem haver opções e responsabilidades por elas, e não querem jogar a conta dos filhotes pra Viúva. Que somos nós, ou as nossas!!
Não podemos confiar neles, ou em quem vai escolher o próximo esterilizado.
Afinal, “who watches the watchmen?”
Aloha a todos!
Pô, cheguei atrasado. Já estava com a frase feita: — E o Fabião (Morróida), é criador ou seguidor?
Morróida, acho que você é inteligente o suficiente pra saber que o seu comentário que intencionava ser engraçadinho não o foi. Em nome destas idéias, de atribuir a uma parcela desfavorecida da população a raíz dos problemas sociais, se matou muita gente. Com isso não se brinca.
Luis, obrigado pela dica do capítulo. Me referia à hipótese de combater criminalidade por vias eugênicas. Ademais, vou atrás de ver estas comparações. Se o Levitt citar outras influências que não a econômica, prometo que passo a dar uma chance a ele.
Gabriel, miseravelmente eu tenho que concordar com o Morróida. Não, não sou extremista como ele que defende veementemente a aniquilação de toda e qualquer forma de vida de indivíduos menos favorecidos (o.O), mas se a natalidade dessas classes fosse controlada(nem vou dizer impedida pois como já disse não sou extremista) não haveria tanta criminalidade assim.
Boa parte desse pessoal não tem condições nenhuma de ter filhos(tanto condições financeiras quanto emocionais, tanto que vivem descendo o cacete nos guris por qualquer coisa) e alguns tem vários deles(algumas vezes nem dentro de casa).
É triste, mas a realidade é assim mesmo. =/
Caros,
O que o Lewit e o Gabriel traçaram foi uma correlação entre filhos INDESEJADOS e não necessáriamente de classes menos favorecidas, e a violencia. Para quem leu o livro fica evidente que crianças que são queridas independentemente da classe social tem maior probabilidade de serem pessoas de bem, e o contrário idem.
Recomendo o livro, e mesmo que voce não concorde com o autor, uma lição fica, devemos sempre questionar o famoso senso comum !
Abs,
London
Eric, acho que quem mais chegou no ponto em toda a discussão foi o London.
De fato, até concordo com a tese de que filhos não queridos podem tender à violência, mas o contrário – filhos queridos demais, mimados demais e sem limites – também é uma bomba-relógio. Tão perigoso quanto encontrar um bandido na rua é encontrar um pit-boy numa boate, nem tenho dúvidas.
No mais, pelo seguinte motivo discordo da tese do Levitt: tenta-se arrastar o cerne da origem da violência exclusivamente para a relação filhos queridos ou não, quando na verdade o principal problema é o caráter dos pais e a capacidade de educar e impôr limites aos filhos que têm, não importando a quantidade ou a posição social. Pais ausentes, filhos perdidos. Posso até concordar com a relação da falta de amor, mas discordo veementemente quando a isso se soma um discurso eugênico e reacionário.
Eric, a realidade foge de generalizações. Defender controle de natalidade entre os pobres ou dizer que os pobres não têm condições de educar os filhos é preconceito puro e simples.
Aloha Pessoas!
Cabe lembrar que ele não afirma que o anorto diminui a violência, mas que a diminuição da violência foi uma consequencia da legalização do aborto.
A ordem dos tratores altera o viaduto.
E foi bem lembrando, tem muita gente ruim RICA e filho único.
Aloha!
Ninguém aqui ressaltou que o que o livro do Levitt faz é apresentar um tipo de situação:
Após a legalização do aborto nos EUA, o perfil de mais ou menos metade das mães que abortaram era pobre, adolescente, solteira, etc. Mulheres que não querem nem têm condições de criar uma criança. Após os nascimento, muitos desses bêbês eram abandonados. Curiosamente, quando olhamos para os perfis de muitos criminosos no Brasil, uma grande parte (se não for a maioria) dos criminosos têm esse perfil. Muitas dessas crianças não nasceram e, mais ou menos 17 anos depois, o crime caiu vertiginosamente nos EUA.
É exatamente a violência social, não aquela de filhinhos de papai que espancam domésticas. Inclusive, se o sistema judiciário estivesse menos entupido, os criminosos ricos teriam mais dificuldades em se safar.
Outra coisa que o livro do Levitt diz que é muito interessante: Pena de morte não diminui a criminalidade. As necessidade de certeza para que se possa executar um cara e a quantidade de recursos existentes, tornam quase impossível uma aplicação eficiente do mecanismo. Na verdade, é mais fácil o cara morrer na guerra de gangues do que na pena de morte. Ridículo. Quem tem medo de pena de morte assim?
Vamos parar de enxergar as exceções como munição para argumentos falaciosos.
Gabriel… O que é incontestável (e eu posso ver isso em minha própria família, composta, em 90%, por “desfavorecidos”), e parece bem simples, sem querer incorrer em outras falácias, é:
a) crianças sem estrutura familiar adequada tendem à crimilnalidade (isso sempre foi o óbvio);
b) a ausência de “estrutura familiar razoavelmente adequada” é imensamente maior nas classes pobres;
c) assim, quanto maior o número de parideiras conscientes, menor a chance de um garoto te dar um tiro num semáforo.
Soluções fáceis para os próximos anos: alguns milhões de propaganda governamental em prol da natalidade feliz (atuamente, nada é gasto nisso!) e da utilização da pílula do dia seguinte (que já existe em qqr posto de saúde, mas pouca gente sabe) e…. claro… legalização do aborto (como alguém disse acima, ele será feito de qqr modo… aliás, alguém sabia que 1 em cada 6 brasileiras já fez um aborto???).
O aborto, há muito, deveria ser visto como uma questão de “segurança pública”.
Os cristãos deveriam fazer um simples sopesamento: discutível direito à vida de um feto x direito à vida de muitos nos próximos 15 anos.
É isso aí, vamos fazer uma campanha: mate um assassino antes que ele mate alguém.
Será que aborto não pode ser considerado violência? Aposto que esqueceram de colocar este ítem (aborto) nas estatísticas de violência.
Não sou nenhum radical contra o aborto, apenas sou contra, mas essa foi a correlação mais estúpida que eu já vi até hoje.
E como fazemos para esterilizar os criminosos que não sãopobres e que dãopreju muito maior como o do Banco Marka, os do Congresso? Temos que pensar rápido para acabar com todos os criminosos mesmos e ficarmos só nós, os que não cometem crime nenhum (assassinato não é crime mesmo) usufruindo desta sociedade maravilhosa que vamos criar matando quem não queremos que viva.