Blog do Cardoso

You’ve lost today, kid. But it doesn’t mean you have to like it

Jun
30

Com prazer, irmão caminhoneiro Shell

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O recado está dado.

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Jun
28

A Ministra do Turismo Sexual não me pegou

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OK, nos velhos tempos isso até teria sido interessante, mas depois que ela largou o Eduardo Suplicy, trocando-o por um franco-argentino ficou complicado respeitá-la.

Hoje no Galeão notei uma mudança no clima. Não havia quase nenhum vôo atrasado, exceto os da tarde. Um para a África estava com quatro horas de atraso projetado, mas considero isso ponto positivo. Quem quer ir para a África?

Mesmo assim as pessoas riam menos, não havia o clima comum de aeroporto, com gente excitada com a perspectiva de viagem. Será que nosso glorioso Governo conseguiu acabar até com isso?

O Vôo que fui tinha vários lugares vagos. E a R$109 a passagem, era de se esperar uma lotação mais completa. Acho que a própria possibilidade de um atraso está sendo o suficiente para espantar os viajantes. Pois é. Como falavam da mulher de César. Não basta que ela seja virtuosa. Ela tem que parecer virtuosa.

A aviação brasileira não me parece mais um exemplo de virtude. E como não há uma empresa onde possamos concentrar nossas criticas, como a crise é um problema de infraestrutura dos aeroportos / controladores, o viajante fica inclusive sem seu saco de pancadas.

Quando várias pessoas que me perguntaram sobre o inevitável atraso de meu vôo recebem a notícia de  que ele não se atrasou, que tudo correu muito bem, sou alvejado com mensagens “uau! Nossa! Que legal! Bom mesmo! Sorte hein?” Pombas gente, será que o Governo está usando a estratégia do bode na sala? Desde quando cumprir horário e atender bem é motivo de alvíssaras? Isso é pura obrigação.

Se as elites oligárquicas exclusionistas juramentadas não reclamam seus direitos, quem irá reclamar?

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Jun
27

Minha mente malvada ataca novamente

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Freud dizia que às vezes um charuto era só um charuto, mas pombas, eu não posso ser tão pervertido assim que só eu capte maldade nessas imagens que acho.

Veja essa aqui embaixo, por exemplo. Alguém, tirando a mais pura das criaturas, a Mariana Ximenes antes de fazer o filme com cenas lésbico-drogada-surúbicas, poderia dizer que não há um componente subliminar fálico-libidinoso nesse negócio?

Achado no ETTF.net

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Jun
27

Lazer de paulista é passear no aeroporto

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Curioso é que a gente sempre falava isso, mesmo quando a maior aventura era justamente sair do colégio e andar alguns quilômetros (ok, um ou dois) até o Galeão.
Nos tempos do Colégio Newton Braga, quando éramos jovens, selvagens e livres era pra lá de divertido dispensar o ônibus e ir andando pra casa. Nos dias especiais, invertíamos a direção, e seguíamos pro Aeroporto Internacional.

Antes dessa era antiséptica isolada digna de um filme de ficção científica vagabundo era possível debruçar na varanda do terceiro andar, acenar para os pilotos (eles respondiam!) e respirar o inconfundível cheiro de gasolina de aviação, que na época ainda chamávamos de querosene.

Nem quero imaginar o cheiro dos aviões do futuro, rodando na base do biodiesel.

Um passeio especialmente bom era nas quartas, quando o Concorde chegava. (ele também vinha aos domingos, mas não era dia de aula) Ele era lindo, ver aquele bicho de perto, a menos de 10 metros de distância era algo impressionante na mente de um adolescente.

Eu me lembro com especial carinho do Rock in Rio, quando passamos TODAS as tardes no aeroporto, acompanhando a chegada dos roqueiros. Detalhe: Ninguém da minha turma era especialmente fã, o importante era a farra. Ficamos amigos dos seguranças, afinal estávamos lá todo dia. Lembro que na chegada de alguém (acho que da Nina Haggen – sim, a roqueira alemã que criou  o haggen Däsz)  me enfurnei no meio dos VVVIPS (Very Very VIPS) até chamar a atenção de um dos seguranças. Por acaso o chefe deles. Só vi o cotovelo subindo. Já me preparei pra próxima frase que viria a dizer ser “Jesus, você não morre mais!” quando ele olha pra trás e diz “ah, porra, é você. Vem, fica mais aqui pro lado que dá pra ver melhor”.

Outro dia chegamos pra um grupo de cabeludos vestidos com jaquetas de couro. “excuse me. Are you Iron Maiden?”

Nossa idéia era que o Iron Maiden seria alternativo o suficiente pra vir sem seguranças, comitiva, etc. OK, éramos crianças. Naquele tempo acreditaríamos até em Software Livre.

No último dia de Rock in Rio (ou de chegada de astros) fui pedir autógrafo do Al Jarreau. Sim, éramos caçadores de autógrafos, veja você. Na correira ele usou o passaporte para apoiar o papel e assinar, mas me entregou o pacote todo. Quando vi eu estava com o passaporte do homem nas mãos.

Saí correndo atrás do carro. “Stop, stop, the book is on the table” ou algo assim. Acho que ele percebeu, pois mandou parar o carro. Entreguei o passaporte com um “sorry” mas o sujeito estava tão aliviado por não ter sido malocado por um pivete de 3o Mundo que era só sorrisos. “thanks, thanks, buddy!”
No final me senti muito melhor fazendo aquela pequena boa ação, do que se tivesse ficado com o passaporte do cara e vendido como memorabilia, coisa super-comum hoje em dia.

De outra feita, resolvemos visitar a Torre. Nosso colégio era, tecnicamente, da Aeronáutica. O Colégio Brigadeiro Newton Braga era civil, mas pago pelo Ministério, sua posição não me parecia muito confortável mas lá estávamos. A carteirinha de estudante vinha com um belo brasão da Força Aérea, e nos anos 80 isso ainda valia alguma coisa.

Batemos literalmente na porta da Torre de Controle. “Oi, somos do Newton Braga, viemos visitar a Torre.” Isso mostrando a carteirinha. E de uniforme.

A Carteirada (de estudante) funcionou.  Acabamos ganhando um tour que nem repórter da Globo no auge da crise aérea ganhou.

Resultado: Uma decepção. É, verdade. A imagem que tínhamos de controlador de vôo era aquele sujeito super-tenso, evitando acidentes o tempo todo, suando.

Encontramos uma sala com várias telas de radar, algumas vazias, gente batendo papo, olhando pra tela, girando a cadeira, conversando com os outros.

“Cara, minha mulher fez quibe, quem quer?”  e rola o tupperware de mão em mão. Admito, a mulher do cara sabia cozinhar. O quibe estava ótimo.

Eu vendo na tela dois aviões chegando perto, perto… aí um dos controladores. “merda, espera um pouco.” Pega o fone, fala alguma coisa, deita o fone  e continua no bate-papo.

Vimos um trabalho normal, envolvendo gente e tecnologia, mas nada daqueles super-homens que os filmes passavam como a realidade. Bem, não se pode ter tudo.

Mesmo assim eu queria trabalhar ali.

Aeroportos têm grande importância em minha vida, passei por momentos cinematográficos que renderão excelentes capítulos de minha autobiografia não-autorizada. Digamos que do ato mais impetuoso de minha vida à clássica cena do beijo de despedida com o locutor chamando “senhor Carlos Cardoso – embarque imediato, senhor Carlos Cardoso, apresente-se ao embarque” com o avião já com as portas fechando em passei.

Só não tirei fotos de dentro de avião caindo, mas sempre ando com minha máquina justamente pra isso ;)

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