Blog do Cardoso

You’ve lost today, kid. But it doesn’t mean you have to like it


Mar
07

Tão bom que nem deve ser Cultura

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Eu não gosto de teatro. A Gabriela (não essa, outra) é uma pequena amiga psicopata serial killer em potencial que fez uma observação pertinente: Teatro no Brasil sempre tem meninos pelados.

E eu não gosto de ver meninos pelados. Nem que seja o Harry Potter.

Mesmo assim, coloquei como uma das minhas resoluções para 2007 assistir ao Fantasma da Ópera.

É uma obra que significa muito para mim, inclusive por ser uma das raras obras de grande público onde o herói é o vilão. Eu gosto de vilões. Detesto mocinhos bonzinhos cheios de ideais e com um caráter absolutamente livre de toda e qualquer fraqueza. Gosto de personagens humanos, com gestos de grandeza entremeados com pequenas atitudes questionáveis. Não quero um Santo, quero um Homem.

(Essa última frase praticamente me definiu com ator de teatro infantil, melhor refrasear)

Eu não posso me identificar com o Super-Homem. Ele é perfeito. Ele vê um mané casar com a Lois, sabendo que ela é apaixonada pelo Kal-El mas não, quer que ELA seja perfeita também, e descubra todas as qualidades do Kent. Se não for assim não vale.

O Fantasma não. Ele faz tudo pela Christine, mas quando ela começa a arrastar a saia pro Raoul, ele se emputece. Com razão. Ele é Fantasma mas é de carne e osso. Ele não tem essa grandiosidade que ninguém no mundo real tem.

A peça é uma das grandes obras de Andrew Lloyd Webber, um autor que é criticado por popularizar a ópera e o teatro musical, o que por si só o torna simpático. Gosto de todo mundo que é odiado pela Academia.

Como prometido, fui com a Bia, em um tórrido final de tarde de sábado, nos divertimos no saguão do Teatro Abril vendo as peruas cinco da tarde de vestido longo, tirando foto nas escadarias, como se estivessem, bem… na Opera Populaire de Paris.

A peça é o que se pode chamar de superprodução, toneladas de cenários, o lustre da cena do incêndio fica pendurado no meio do teatro (e não no palco) e várias, várias cenas que eu jurava não ser possível reproduzir, do filme, foram magistralmente adaptadas, inclusive a passagem de tempo na abertura, com o teatro antigo virando o teatro novo, de 40 anos atrás.

Inteligência, cortinas e ventiladores conseguem substituir computação gráfica, se querem saber.

O fenômeno mais interessante que percebi é que como conheço as letras das músicas no original, acabei apreciando duas vezes, pois em minha mente eu as escutava em inglês, ao mesmo tempo que as ouvia em português, pois as letras foram traduzidas para a versão brasileira do musical.

As mudanças da versão do teatro para a versão do filme podem surpreender quem só conhece essa última, mas de modo algum são ofensivas. Raoul não atira primeiro nem o Fantasma tira seus poderes dos Midichlorians. Na verdade eu gostei, gostei bastante do final da peça, não é triste como o final do filme.

Acredito que Andrew Lloyd Webber tenha concluído o filme como o fez por ter se separado de Sarah Brightman, sua esposa, musa e principal estrela, e que deveria fazer o filme. A música Learn to be Lonely, tocada nos créditos do filme, também é uma boa dica do estado mental dele. Bem, azar pra Sarah e sorte pra Emmy Rossum (na foto), linda e imaculada como Christine Daaé, no filme de Joel Schumacher.

Além de não ter meninos pelados, dá gosto ver o quanto a direção não tem medo de tecnologia. De efeitos pirotécnicos a projeções, o espaço é usado lindamente. A suspensão de incredulidade do espectador não é exigida como na maioria das peças. Não tem aquele negócio de “por favor acreditem que esta cadeira é um carro”.

O que eu mais gosto da peça é seu final. Não é moralista, não é feito para agradar a platéia, é um final, tão adequado quanto qualquer outro. Pode ser insatisfatório, mas assim é a vida. Como diz o filósofo Jagger, “Você não pode ter tudo que quer”.

Mas se você tentar, às vezes consegue o que precisa.

O Fantasma da Ópera ainda está em cartaz em São Paulo, vindo pro Rio de Janeiro em breve.

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  1. Igor Gama em 07/03/2007 - 13:41 escreveu:

    Concordo com a sua visão dos heróis, aliás, sempre admirei mais o Lex Luthor, por não ser capaz de voar, voltar o tempo, romper a barreira do som, ter visão de raio-x, ser à prova de balas e atirar lasers pelos olhos, e, mesmo assim, ser o maior inimigo de superman.

    A referência à House caiu bem.

    PS: Essa barra com comentários recentes é hilária! Ainda tem gente discutindo as fotos da “gol”, e o bispo Macedo!



  2. Rafael Slonik em 07/03/2007 - 14:09 escreveu:

    “Não quero um Santo, quero um Homem.”

    Cuidado com as palavras.

    Lex sempre foi melhor que o bundão do Clark. Seria tõ legal uma série em que o Clark usasse seus poderes pra levar a vida na boa.



  3. Cardoso em 07/03/2007 - 14:16 escreveu:

    Obrigado, Igor, ganhei o dia, primeiro comentário e alguém pesca a referência. Show.

    Mesmo nos heróis sempre gostei mais do Batman, ele não tem poder nenhum e o escoteiro azulão come na mão dele.



  4. Mariana. em 07/03/2007 - 14:24 escreveu:

    Olá, Cardoso.
    Primeira vez que venho te ler e já gostei.
    Mas passei pra divulgar um email que recebi e que me escandalizou por ter sido enviado por um PM.
    Não me surpreendi pelo conteúdo e sim pelo orgulho com o qual foi exibido.

    Achei importante que todos soubessem.
    Um grande abraço, Mariana.

    Segue o texto:

    (Os erros de português não são meus!)

    REGRAS PARA UMA ABORDAGEM FELIZ. *
    1. A PM não sai por aí encostando playboy na parede por que gosta.
    Mas por que o serviço tem de ser feito.
    Então,quanto mais você enrolar, mais tempo vai demorar a abordagem.

    2. Pra quem não quer levar os tradicionais chutinhos
    no tornozelo a receita é simples: basta abrir as pernas num ângulo
    mínimo de setenta graus.
    3. Nós fiscalizamos o trânsito, sim. Mas nossa prioridade é o crime.
    Quem prioriza o trânsito é o DETRAN. Então, quando for parado por uma equipe da PM,
    não venha tirar documentos do bolso antes que o policial determine.
    Um movimento precipitado e você pode tomar um tiro nessa
    sua carinha de criado com a vovó. É muito simples:
    Primeiro verificamos se você não está portando armas ou drogas,
    depois verifica-se quem você é e o seu veículo.

    4. A merda do seu carro “tunado”, apesar da papagaiada toda, não é
    único ou exclusivo. Existem muitos iguais a essa porcaria.
    E esses muitos outros são conduzidos por criminosos.
    Então quando for parado, não quer dizer que o policial está te perseguindo
    ou está com inveja dessa merda. Ele te parou por que você pode ser um bandido
    ou seu veículo é igual ao que foi usado num crime qualquer.
    5. Para as mulheres: quando a porra do teu namorado
    for pra parede, não atrapalhe. Fique no local onde foi determinado e
    espere o fim da abordagem, de preferência em silêncio.

    6. Maconha ainda é droga ilícita, e usá-la ainda não
    está permitido. Então não reclame!

    7. Sempre dizem: VAI PRENDER BANDIDO. Pedimos também
    que indiquem onde eles estão, e se possível nos acompanhe a
    delegacia, na condição de testemunha.

    8. Em vários locais já ocorreram crimes chamados
    seqüestro relâmpago, inclusive nesta cidade. Por isso, quando tu
    tá no carro com a porra da tua namorada e mais 4 boiolas juntos,
    nós abordamos por imaginar poder se tratar de um desses crimes. Portanto,
    coopere, desça do carro com as mãos na cabeça e peça pros teus amiguinhos
    fazerem a mesma coisa.

    9. Deixe essa sua carteirinha de OAB guardada na sua
    carteira ou em casa. Se eu quiser saber tua profissão eu vou
    perguntar e você apenas vai me responder.
    Advogado não é autoridade, é um profissional
    liberal, como um dentista ou pedreiro, e PM não tem
    medo. Fórum é pra ir mesmo.
    Boa parte dos Policiais hoje também são bacharéis
    iguais a você. Por sinal os cursos de formação da PM chegam até
    botar muita faculdade de direito de fundo de quintal no bolso.

    10. O famoso “mão pra cabeça” é uma ordem legal que
    tem auto-executoriedade, ou seja, nós podemos parar quem
    quer que seja segundo nosso poder discricionário e realizar uma busca pessoal,
    sem necessitar de mandado específico.
    Se precisar, a sola n° 43 da minha bota serve.

    11. Carro não é extensão de domicílio, exceto se
    você morar nele, portanto TAMBÉM não precisa de mandado e será
    primeiro revirado e depois fiscalizado e quem sabe autuado e apreendido.
    12. Mantenha-se calado durante a abordagem!
    A sua opinião não interessa a ninguém!

    13. Também não interessa saber quem é seu pai, mãe,outro parente
    ou quem você conhece.
    Exceção feita as suas irmãs. Se forem melhoradas, me apresenta!

    14. Não temos inveja de sua condição social ou da porcaria do seu
    carro; apenas estamos trabalhando em prol da sua segurança.
    Então sempre agradeça-nos ao término da abordagem, lembrando
    sempre de dizer:
    MUITO OBRIGADO SR POLICIAL! EU AMO A PMERJ!!!
    *SIGA ESSAS REGRINHAS SIMPLES E TODOS SERÃO FELIZES! *

    *POLÍCIA MILITAR, SERVIR E PROTEGER!!!



  5. Insano® em 07/03/2007 - 15:38 escreveu:

    Santa caca.
    Mariana,
    Se você gostou, vá ter um caso com ele então.



  6. Fernando Furmann em 07/03/2007 - 15:45 escreveu:

    Cardoso, concordo com sua visão a respeito dos heróis com uma exceção o Homem Aranha ele é o super-herói menos super, não leva jeito com as mulheres e é zoado por ser nerd, além de sofrer dos problemas humanos.
    Quanto ao comentário do Igor Gama, o Lex Luthor não precisa de nenhum super poder, porque ele tem algo muito melhor, dinheiro :p
    Depois da sua “sinopse” da peça eu fiquei com vontade de assistir, mas acredito que para Curitiba ela não vai vir, uma pena.



  7. Copiador Descarado em 07/03/2007 - 19:17 escreveu:

    Ficou em dúvida se a peça é cultura?
    É claro que é cultura.Por esse preço só pode ser…



  8. Tiosolid em 07/03/2007 - 19:26 escreveu:

    filosofo jagger eh boa.. assim como filoso Madruga, Seu.



  9. Cardoso em 07/03/2007 - 19:49 escreveu:

    O Aranha é o pior exemplo. Depois que fez a caca com o Tio Ben, entrou numa crise moralista e prefere deixar a tia pena pra pagar as contas a usar os poderes pra tirar um trocado.

    Podia muito bem pedir um qualquer pros Vingadores, ou mesmo que o Capitão América usasse seus contatos pra aumentar a pensão dela. Mas nãããão.

    Já na parte da mulherada, até que ele está bem. A MJ é supermodelo internacional, nos quadrinhos. A Gata Negra vive atrás dele também.



  10. Bruno em 08/03/2007 - 09:49 escreveu:

    De todo o post eu adorei o final (Vindo pro rio em breve).

    Estou querendo assitir essa peça faz muito tempo, mas ir pra sampa tava difícil.

    Eu tenho o filme em casa, pois adoro esse espetáculo, e adoraria completar com uma visita ao teatro.



  11. Enio Luiz Vedovello em 08/03/2007 - 11:03 escreveu:

    Um aviso a todos os interessados: a peça é realmente sensacional. O filme, embora com o mesmo texto, não faz justiça a ela. E a tradução das letras é primorosa. A novidade é a ida para o Rio, até onde eu sei, nenhum dos outros musicais apresentados no
    Teatro Abril viajou…

    Com relação aos Super-Heróis, eu gosto do Batman e do Aranha. No caso do Aranha, mais por conta do lance de ele estar se ferrando nas lutas e ainda fazendo piada. Já o Batman, eu discordo: ele tem um super-poder, sim. Algo que embora esteja acessível a todo mundo (inclusive no mundo real), QUASE NINGUÉM usa: ele PENSA.

    E mataram o Capitão América!



  12. Lu em 08/03/2007 - 18:12 escreveu:

    O filme é muito bom, coisa e tal, está na minha wishlist e tal, mas ver ao vivo e a cores no teatro não tem preço (tá, tem sim).

    Inevitavelmente sempre me pego torcendo para que a Christine escolha o Fantasma.



  13. Felipe em 10/03/2007 - 14:04 escreveu:

    putz q inveja. simplesmente adoro fantasma da opera. pena q a grana é curta e viajar pra SP pra ver uma peça de teatro ainda não é possível =/
    mas realmente deve ter sido muito legal.



  14. Mariana em 13/03/2007 - 17:02 escreveu:

    Insano, acho que você não me entendeu!
    Eu coloquei aqui por que é nojento e achei que todos deviam saber.

    Claro que não gostei

    Quando disse que gostei, me referia ao blog do Cardoso.

    Um abraço.



  15. Insano® em 14/03/2007 - 14:56 escreveu:

    Hã ????
    Agora ficou um pouco mais complicado de entender, ou não…

    Cara Mariana, quando você não gosta de algo, a sua atitude é compartilhar ?

    Se gostas tanto, crie um BLOG e compartilhe com os leitores o que encontrares por aí…

    Mas usar blog de terceiros para distribuir suas descobertas ( e que não gostas ) não é um pouco demais ?

    Sem crise baby