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Jul
16

Lost: um jeito Dan Brown de fazer TV

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Terminei de ver o piloto de Lost. Dois episódios, 42 minutos cada um. Já foi o bastante. Devo estar ficando velho, já pego de longe os truques rasteiros dos roteiristas, e a pretensão de enrolar de alguns produtores. O que vi é isso e mais.

Do mesmo jeito que Dan Brown criou um modelo de livro que segue fielmente, só mudando o objeto almejado os locais e o nome dos protagonistas, Lost criou uma estrutura básica:

  1. “O que é isso?”

  2. “Não sei, achei agora.”

  3. “Ah, pensei o que era o negócio de semana passada.”

  4. “Não, esse é outro. Falar nisso, estamos perdidos em uma ilha.”

  5. (passagem de tempo, episódio seguinte começa na fase1)

O truque é pegar isso e escrever um roteiro de 47 páginas em volta. Os epísódios terminam com o famoso “cliffhanger”, como os seriados de cinema dos anos 30 (viram a originalidade?) assim os mistérios da semana dão lugar a novos mistérios e fica todo mundo “oh, o que significará esse novo mistério?” com direito aos roteiristas se perderem, já há vários furos na história, mas os fãs fingem que não vêem.

Confesso que esperava mais. Só vi clichês. Quando o sujeito com cara de árabe disse que era iraquiano, pensei: “é batata: Ou é terrorista ou soldado”. Não deu outra. O oriental quieto com um mistério pessoal, o gordo inseguro, o bandido que é mocinho e vice-versa, a patricinha alienada ao que acontece em volta, o garoto curioso que se mete em encrencas e até o cachorro. PQP um cachorro!

A suspensão de incredulidade vai longe. Certo, acharam um rádio mas as baterias acabaram. NINGUÉM ali sabe procurar por baterias nas bagagens, afinal pessoas não levam walkmans, cd players, computadores e essas besteiras, na cabine. O tal Lostzilla então… o bicho vem fazendo um barulho igual a nada mostrado num Discovery Channel, sai destruindo árvores como um figurante em CGI de Jurassic Park e NINGUÉM fala nada…

“Caramba, que diabos foi aquele bicho ontem?” necas.

A câmera perseguindo os personagens é Sam Raimi puro. O truque de não mostrar o monstro não é novidade também, mas quando Raimi fez isso no Noite Alucinante, fez de forma convincente, à noite e com UM personagem, não 3 ou 4. Subindo em uma árvore. De dia. Em uma mata rala.

Os extras tornam tudo meio cômico. Passado o choque, todos ficam andando, olhando pra Lua, como se drogados. Na certa esperando os roteiristas criarem situações que os aproveitem. “oba! uma fala!”

O estilo dos flashbacks, inclusive, já demonstra o que se tornará padrão na série: O Estilo M. Night Shyamalan de fazer cinema. Comece do fim e escreva de trás pra frente.

Confesso que não entendi o sucesso que essa matrioska faz. Não é um filme de detetive onde o espectador tem uma chance de desvendar o mistério, não é nem um roteiro bem-feito de trás pra frente, como o Sexto Sentido.

Acho que eles apelam pelo menor denominador comum, no estilo Dan Brown / Royal, dão a massa pronta mas você precisa acrescentar um ovo, bater e enformar. Pronto, você fez um bolo. Isso gera uma cumplicidade onde o espectador acha que realmente resolveu alguma coisa.

Nada contra séries que trabalham dentro de estruturas rígidas. CSI e Lei e Ordem são duas que seguem seus modelos à risca. Quando algo de inesperado acontece, surpreende tanto os personagens quanto os espectadores.

Outras séries, como West Wing e Battlestar Galactica não obedecem nenhuma estrutura. Deve ser muito desconfortável para um fã de Lost assistir essas séries, pois nem sempre teremos respostas, não há obrigação de mistérios novos e a mitologia da série pode ser completamente alterada, sem destruir o trabalho passado como um castelo de cartas.

De resto, a proposta de gente abduzida para um local misterioso, com passado interligado e controlados por uma inteligência oculta não é novidade. O Prisioneiro usava essa temática em 1967 e diversos episódios de Além da Imaginação usaram esse tema.

Só que sem clichês e com personagens mais palatáveis que silhuetas recortadas de papelão.

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  1. Donizetti em 16/07/2006 - 05:11 escreveu:

    Sabe que vc citou ‘Lei e Ordem’ e é um dos meus vícios agora que estou em férias. Nunca tinha assistido um episódio, e de uma hora para outra me pego gravando todos.



  2. Telm@ em 16/07/2006 - 10:29 escreveu:

    Cardoso, não seja rapugento! :D
    O negócio é o seguinte, existe uma geração que nada conhece sobre estruturas de roteiros ou sobre referências mas está ‘consumindo’ ardorosamente!
    O que fazer?
    Se você for menos rapugento pode até gostar de ver seriados que mostrem um pouco de ‘nostalgia’ e nenhuma novidade retumbante. Talvez estejamos velhos demais para ver tv! :D
    :*



  3. junior em 16/07/2006 - 12:00 escreveu:

    hehehe
    não tem muito mais o que se inventar, e quando alguem faz isso, vira celebridade. por outro lado, vira celebridade quem copia de forma convincente, que é o caso do lost (nossa, como eu escrevo bost). é divertido, é gostoso, é entertainment



  4. O'Marin em 16/07/2006 - 12:53 escreveu:

    Eu assisto Battlestar Galactica e Lost, prefiro Battlestar à Lost. Mas não acho Lost ruim como você disse, até pq não conheço (quase) nenhuma das referencias. E não sou fã extremo da série, eu só assisto.



  5. sergio lima em 16/07/2006 - 14:09 escreveu:

    Agora só falta fazer o Bostcast :-)



  6. Cardoso em 16/07/2006 - 17:49 escreveu:

    Tá doido, Sergio? Já perdi duas horas da minha vida vendo isso… não vou perder mais fazendo podcast.



  7. Sérgio Blog 2.3 - Sobre as narrativas simples... em 17/07/2006 - 11:11 escreveu:

    [...] Em tempos de estilo Dan Brown de contar histórias, eu ainda prefiro narrativas simples (início, meio e fim), contando toda a vida de uma personagem. Em geral histórias que falam sobre algo que apaixona a personagem. [...]



  8. [...] Quem gosta de humor referencial (sem ser pura chupação de idéias antigas) e politicamente incorreto, além de ter um desejo secreto de ver esses personagens tão puros e certinhos agindo feito gente normal, vai adorar Drawn Together. [...]



  9. Carol em 22/07/2006 - 20:32 escreveu:

    Não acho que simplesmente através do piloto dê para se julgar uma serie inteira. Existem várias series que assisto onde quando paro e vou rever o piloto penso, nossa como que algo tão bom saiu deste episódio. Friends e Firefly ficam aqui de exemplo.

    Sim, Lost acaba sempre com um cliffhanger porém sua crítica de que as perguntas ficam sem resposta não tem cabimento. Os autores e produtores já avisaram em diversos podcasts e materias que não vão deixar perguntas em aberto. Com um público fiel e compenetrado acredito que isso acontecerá mesmo.
    Aproveito para recomendar dois blogs muito interessantes sobre o assunto-
    http://lostanswers.blogspot.com/ (com as perguntas ja respondidas)
    http://lostmysteries.blogspot.com/ (com as perguntas em aberto)

    A sua estrutura digamos tipo “receita de bolo” para Lost pode ser válida para o Piloto (que aliás quer atrair as pessoas a assistirem denovo para poder permanecer no ar) mas não está presente em todos os capitulos da serie.

    A serie ja conta com inumeros personagens “principais” e isso causa com que os extras não façam absolutamente nada. Estão lá porque simplesmente sobreviveram a queda do avião. A serie ja faz um esforço imenso para poder dar destaque a todos os personagens, imagina se alocando espaço para os extras aparecerem.

    Sou fã de Lost e posso dizer que em momento algum fica “desconfortável” assistir outras series. Sou fã de West Wing que foi uma das series mencionadas por você. Consigo apreciar as duas series de maneiras diferentes.
    Se puder seria muito bom que você fosse ver um pouco mais da serie. Tive varias pessoas que como você não estavam dispostas a ver monstros na ilha e ficar sem respostas. Porém estes amigos foram persistentes e decidiram dar mais uma chance e estão adorando a serie.
    Bom é isso eu acho.
    Gostaria de aproveitar para falar que adoro o site aqui.



  10. Um Blog Random » Defendendo Lost em 22/07/2006 - 20:40 escreveu:

    [...] Estava visitando um blog e me deparei com uma crítica a serie de TV Lost. Como fã da serie comentei, clique em more para saber. [...]



  11. Rodrigo Santoro em Lost | CulturaPop em 27/07/2006 - 21:56 escreveu:

    [...] Calma. “nooo!!!” porquê? Eu não gosto de Lost, quero mais que a série se rale. Quer saber? Estou com a Tayra, o que é bom pode ficar melhor, quero mais é ver o circo pegar fogo. Aguardo ansioso a futura contratação de Leonardo diCaprio. Afinal, ele já tem experiência, seja em afundar grandes projetos, seja em morrer na praia. [...]