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Superman: Péssimo para quem torce pelo pior
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Eu contei aqui como perdi o tesão por cinema. Contei das minhas dificuldades, da frustração que é baixar as expectativas para ter uma companhia cinematógrafica. Em compensação, comentei também o quanto o trailler me impressionou bem e o quanto eu precisava assistir Superman Returns.
Como já disse antes, sempre cumpro minhas promessas. Juntei coragem pra sair da toca e fui para o Shopping. Cheguei em cima da hora, mal deu tempo de comprar a pipoca e a Coca-Cola.
Desajeitado feito Clark, derrubando pipoca pra tudo que é lado, sentei (poltrona ímpar, sempre. Seja antisocial) e me surpreendi com a qualidade do trabalho do Bryan Singer, que nunca me pareceu um grande diretor. Erro meu.
Ele é um diretor correto, que ama filmes. Junto com Sam Raimi e Peter Jackson, eles amam cinema e demonstram isso em cada fotograma.
Mais do que o cinema, ele ama o Superman. Largou o X-Men 3 quando surgiu a oportunidade de dirigir esse projeto (mais detalhes no Especial Judão) largou tudo. Ou melhor, largou tudo e levou a equipe de confiança. Até o bundão do Ciclope foi junto, para a maior saia-justa do planeta, e olha que ele se sai bem na fita.
Dedicado “com carinho e respeito” a Christopher e Dana Reeves, o filme é recheado de referências cinematográficas e quadrinísticas, os fãs mais atentos vão se deliciar.
O Pega-Rapaz do Reeves está lá, o Barman que faz uma cena com o Jimmy Olsen é o Jimmy Olsen da série de TV
dos anos 50, a velhinha do começo é a Lois Lane da mesma série, há frases inteiras do Superman I repetidas com todas as letras e a música PERFEITA do John Williams não foi tocada. Quer dizer, tocada foi, bastante. Não foi é mexida.
O diretor preferiu não recontar a história do começo da vida do Clarke pela enésima vez, mas conseguiu colocar Martha Kent em sua sequência clássica do “nascimento” de Clark de uma forma muito inusitada. (pergunta: quem projetou o sistema de pouso das naves Kriptonianas? Capitão Boeing?)
Repare na capa ao lado; é a primeira aparição do Superman, na Action Comics número 1, 1938. No filme essa imagem é reproduzida, com direito a uma fotografia, bem estilizada, para fixar a referência.
Os atores (que belo time) conseguiram sair do estilo “grana fácil” e se dedicaram, o Luthor de Kevin Spacey é original mas homenageia toda hora Gene Hackman. Não é fácil ser original E referencial ao mesmo tempo.
Clark descobre que não adianta ser o mortal mais poderoso da Terra (se bem que esse título é do Capitão Marvel) se isso não é suficiente para reconquistar Lois. Kate Bosworth, por sinal, está ótima. Fuma escondido como a Lois do filme I, continua com problemas em escrever palavras difíceis e guarda uma mágoa ENORME do Superman por ele ter ido embora sem sequer dizer adeus.
Isso fica claro em vários momentos, e por mais que ela aceite a importância do Superman para o Mundo, não o aceita de volta em sua vida. O que ele vai fazer? Voar em volta do mundo e fazê-lo retroceder cinco anos?
O mundo, aliás, é mostrado em peso. Clarke voa pra todo lado, salvando gente o tempo todo. Isso que os neuróticos patrulhadores não entendem. O Superman nunca terminou um salvamento para dizer ‘Beba Coca-Cola’, ele está ocupado indo salvar outras pessoas. A mudança de texto para suavizar a origem americana do herói é ridícula e desnecessária.
Entre as referências, a sequência de resgate do avião, mostrada no trailler, tem uma curiosidade… é muito semelhante (com direito a Lois dentro e tudo) a um desenho dos anos 40, de Max Fleisher. Creio que foi uma bela homenagem disfarçada.
O desenho em questão
De resto, há quem não goste. O Borbs é um. É ótimo ler que ele não gosta do Super mas embora tenha tentado não conseguiu não gostar. Por outro lado a bia parece ter um prazer mórbido em ouvir um leitor dizer “ah, não vou ver, vou esperar o motoqueiro fantasma”. Ela conseguiu falar mal até do que não existe.
Na falta do que reclamar, chega a dizer que o filme é um romance, não ação/aventura. Deu a entender que nada acontece. Os mais influenciáveis vão achar que é uma espécie de Smallvile misturado com Gilmore Girls.
Não sei qual romance é esse que a platéia aplaude mais de dez vezes. Claro, quando comentei isso ela respondeu dizendo que a platéia era só de fãs.
Belo argumento. Na falta do que dizer do filme, desqualifique a platéia. Também, pra quem não gosta de Casablanca…
PS: fim da picada mesmo foi ela dizer que a Lois é feia.
Horrorosa. Clique aqui para mais 20MB de fotos desse jaburu…





“PS: fim da picada mesmo foi ela dizer que a Lois é feia.”
hahaha…não preciso dizer como se chama isso…
…prefiro guardar as lembranças do meu primeiro filme no cinema: Me lembro como se fosse hoje da aquele cinemão lotado, sem ar condicionado, lotado, suando às bicas.
“Clique aqui para mais 20MB de fotos desse jaburu…” foi genial hahahaha Eu fui para o cinema com medo… Sou sempre um tanto chato e cobro demais das adaptações. Detestei V de Vingança, por exemplo. Mas Superman foi surpreendente, um filme delicioso.
Sou muito bem resolvida, Danilo. Não tenho esse tipo de problema. O Cardoso como sempre distorceu tudo o que eu disse. E não só a respeito da Lois.
A questão é que a moça aí não chega aos calcanhares da linda, maravilhosa espirituosa Lois da Teri Hatcher. Só isso.
Talento e saber usar direito o que Deus lhes deu.
Quanto ao Cardoso, infelizmente só o que ele gosta é que presta… Ridículo. Tudo bem, o passado dele segurando um Pocket PC com um guardanapo mostra que ele também se engana com coisas que ele sempre considerou ruins.
Gostei muito de sua resenha, está muito informativa e engraçada. Concordo com quase tudo.
Acho que tornar Superman menos norte-americano é reflexo da geopolítica atual, bem diferente do que na época em que ele foi criado ou de quando os primeiros filmes foram feitos. Não tenho como criticar, o filme investe pesado em modernizar a mitologia do herói.
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