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Eu não gosto de filmes de mocinha
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Pronto, falei. É isso mesmo. Já fiz muitos sacrifícios no passado, lembro uma vez que fui parar no Estação Botafogo com um pessoal da faculdade, e como eu estava cevando loucamente a Renatinha topei assistir um tal de Sissi, a Imperatriz, em Sueco Arcaico, ou algo assim. Foram horas e horas de tédio completo. Eu desisti até de tentar dar uma idéia na menina, de tão entediado que estava. (mentira, tinha caído na Zona da Amizade, aí já era)
Lembrando em detalhes do roteiro do filme, não acontecia basicamente nada. Era como aqueles filmes chineses que fizeram sucesso nos anos 90, onde a Fu-Ling passa 4 horas decidindo se muda o vaso de planta da janela da cozinha para a mesa da sala. No final ela não muda, se mata e o filme acaba.
Compatibilidade cinematográfica é essencial para que um relacionamento dê certo. Se não houver um denominador comum, babau. Imagine ir assistir Matrix sozinho pois a dondoca da namorada não gosta de “filmes violentos”, ou então voltar para casa depois de assistir Senhor dos Anéis e ao invés de discutir animadamente o filme ouvir “É, legalzinho, mas eu dormi uns 20 minutos…”
Dormir em cinema para mim é motivo para divórcio.
Felizmente eu nunca cheguei a esses extremos, mas já passei perto. Durante um tempo saí com uma figura que se dizia cinéfila, adorava ficção científica, etc, etc. Eu caí como um patinho, e descobri da pior maneira que ela adorava CRITICAR blockbusters, filmes de ação, etc. Tentei várias vezes discutir Senhor dos Anéis com ela, e o máximo que consegui foi um “haha o Gandalf é viado”. Em resumo, criptointelectual rata de cineclube de faculdade de cinema. Se não for em alemão, sem legenda, preto-e-branco, não presta.
Mesmo quando você dá sorte de arrumar uma trekker, não é perfeito. A condição-mulher delas as fazem suscetíveis a filmes de mocinha. Você sabe, aqueles com o Hugh Grant ou a Emma Thompson. Ou com o Hugh Grant E a Emma Thompson. Filmes ingleses com titulo composto de dois adjetivos aleatórios. “Razão e Sensibilidade”, “Orgulho e Preconceito”, “Rancor e Desesperança”. É fácil, invente um você também.
Em TODOS esses filmes o Hugh Grant é um pai de família de bom coração mas endurecido, casado com uma mulher megera e entrevada (ou que morre no final) e a Emma Thompson é a governanta que conquista os filhos do casal, abre os olhos do Hugh Grant para as belezas da vida, eles se apaixonam, a megera tenta separá-los, morre no final e todos ficam felizes.
Os detalhes mudam mas o roteiro é basicamente esse. Uma espécie de versão vitoriana dos filmes pornô, que mantém a mesma estrutura, só mudando os atores (ou no caso da Bruna Ferraz nem isso).
O melhor a fazer para que um casal não chegue às vias de fato por causa de filmes, é chegar a um compromisso. As mulheres se comprometem a não nos forçar a ver esses filmes chatos, e pronto. Estamos felizes.
Televisão e DVD existem para isso. Juntem umas amigas, potes de sorvete e lenços, divirtam-se. Não forcem seus homens a ir ao cinema assistir filmes de mocinha. O resultado pode ser traumatizante, como o Morróida, que provou mais uma vez que sua emasculação foi completa, ao aceitar levar a namorada para ver Brokeback Mountain.

Há muito o que pode ser compartilhado por um casal, se a mulher não for uma pseudointelectual esnobe que só vê filmes em finlandês sem legenda e que sigam o Dogma 95. Sua namorada pode não apreciar o último Rambo, ou o Madrugada dos Mortos, mas muito provavelmente gostará de um Duro de Matar, do Matrix original ou de um James Bond com o Daniel Craig.
Deixe para ver os filmes com Steven Seagal ou The Rock com os amigos, em casa, durante um churrasco, afinal elas também não são obrigadas a ver os filmes que gostamos.
E não, meninas. Nós gostamos de vocês mas nos entediamos com facilidade. Se aceitarmos assistir “Folhagens de Outono” ou algo assim com vocês, considerem um presente. Não queiram ainda que façamos cara de interessados.
Homens gostam de filmes com coisas que explodem. Cinema oriental para nós tem Jet Li no meio. No máximo Jackie Chan.
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